Polícia maranhense esclarece caso de assassinato de jornalista e prende 7

Ex-vereador e seu pai são mandantes do crime; eles contrataram pistoleiro para matar Décio Sá

Ernesto Batista, especial para O Estado de S. Paulo,

13 de junho de 2012 | 18h22

SÃO LUÍS - Assassinato, tráfico de drogas, extorsão, agiotagem, crime organizado. Estes são os elementos que permeiam a história do homicídio que vitimou o jornalista Décio Sá, assassinado há 51 dias em um bar da avenida Litorânea, um dos principais cartões postais de São Luís. Nesta terça-feira, 12, a polícia do Maranhão declarou o caso esclarecido, ao apresentar sete acusados de ser mandantes, agenciadores e matador do jornalista.

Veja também:

link Oito são presos por morte de jornalista no Maranhão

link Dez anos de morte de Tim Lopes são lembrados no Rio

link Em dez anos, 2012 já é o ano mais violento para jornalistas

O empresário Glaúcio Alencar Pontes, 34, que também é policial e ex-vereador no interior do Maranhão; e o pai dele José de Alencar Miranda Carvalho, 72, foram acusados de serem os mandantes. O sócio de Gláucio, Raimundo Sales Charles Júnior - conhecido como Junior Bolinha - 38, Fábio Aurélio do Lago Silva, 32, e Airton Martins Monroe, 24, são acusados de agenciar o pistoleiro profissional Jhonathan de Souza Silva, 24, que executou o crime e é acusado de matar outras 49 pessoas no Maranhão e no Pará.

Um policial militar, o capitão Fábio Aurélio Saraiva Silva, que era subcomandante do Batalhão de Choque da PM maranhense, teria fornecido a arma calibre .40 que foi usada no crime também foi preso e ainda há um oitavo acusado, que teria dado fuga ao assassino do jornalista, e que conseguiu fugir.

Todos os acusados foram presos por uma equipe formada por 12 delegados e 70 policiais, que cumpriram sete mandatos de prisão e 14 de busca a apreensão numa ação policial coordenada batizada de "operação Detonando".

Prisões

Os acusados foram presos em São Luís, Santa Inês e Zé Doca, e apresentados nesta quarta-feira, 13, em uma coletiva em que o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Aluízio Mendes, declarou o crime elucidado. Ele disse que o crime foi planejado, organizado e executado dentro de um consórcio, mas também declarou que as investigações não se encerram com a prisão dos acusados.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Maranhão, o acusado de assassinar Décio Sá tem ligações com outros homicídios. "É importante salientar que essa investigação está apenas começando. O ponto inicial está esclarecido com a confissão do Jonathan. Em função dela foi descoberta uma verdadeira organização criminosa que é um verdadeiro câncer para a sociedade maranhense, atuando no desvio principalmente de recursos públicos, agiotagens e extorsões. Alguns destes crimes não são de nossa alçada e com certeza encaminharemos estas informações para a Polícia Federal", disse Mendes.

De acordo com as informações divulgados pela polícia maranhense, a execução de Décio Sá foi encomendada porque o jornalista sabia do envolvimento de Gláucio com o assassinato do agiota Fábio dos Santos Brasil Filho, de 33 anos, o "Fábio Brasil" - que foi executado no centro de Teresina com três tiros na cabeça.

O agiota teria que havia contratado Jhonathan para matar Glaúcio, porém como Fábio Brasil não pagou pelo crime, o assassino profissional procurou o empresário que lhe pagou para matar o contratante. Após a execução - e já em São Luís, em uma reunião informal - Sá teria dito a Glaúcio que sabia de seu envolvimento com a execução de Fábio Brasil.

Foi ai que o empresário procurou seu sócio, Júnior Bolinha, e pediu que providenciasse a eliminação do jornalista. Júnior Bolinha, também tinha contas a acertar com o jornalista uma vez que uma denúncia feita por Sá, acusando-o de envolvimento com agiotagem, impediu que ele se tornasse representante da Coca-cola em Santa Inês, distante 200 quilômetros de São Luís.

Agenciamento

Juntos com Airton e Fábio Aurélio, Júnior Bolinha entrou em contato com Jhonathan, oferecendo-lhe R$ 100 mil e organizou a execução de Sá. "Pela dinâmica do crime, o jornalista foi monitorado por três ou quatro dias. Alguns dias antes, Jhonathan tentou matar o jornalista em sua residência e quase mata o irmão dele porque parecem muitos. Ele só não cometeu o crime na casa dele porque notou que um era mais alto e forte que o outro. Mas realmente eles se parecem muito", contou Mendes.

Ainda de acordo com o depoimento do acusado de executar o crime, Júnior Bolinha pagou apenas R$ 20 mil pela execução do jornalista e por isso estava se preparando para matá-lo, mas acabou preso antes. Ele estava com 10 quilos de cocaína, uma pistola .40 e uma escopeta 12, em um bairro nobre da capital maranhense em uma investigação da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic). A polícia esta investigando para ver se a pistola é a mesma usada no assassinato de Décio Sá.

Nas operações de busca a apreensão, a Policia Civil encontrou indícios de outros crimes e os acusados se tornaram suspeitos de cometerem crimes como agiotagem e extorsões contra vários gestores públicos no Maranhão e até outros Estados.

"Essas pessoas 'furtavam' o dinheiro público e praticavam crimes contra toda a população ao desviar esses recursos. Nós continuaremos a investigar", afirmou a delegada geral de Polícia Civil, Cristina Meneses.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.