Polícia indiciará 15 por chacina de sem-terra

O delegado Wagner Pinto, responsável pelas investigações sobre a chacina de cinco integrantes do Movimento dos Sem-Terra, em Felisburgo (MG), no último dia 20, concluiu o inquérito que será apresentado nesta quarta-feira à juíza titular da Comarca de Jequitinhonha, Célia Maria Corrêa, e depois remetido ao Ministério Público para a apresentação ou não de denúncia. Segundo o delegado Elcides Guimarães, chefe da Divisão de Crimes contra a Vida da Polícia Civil, 15 pessoas serão indiciadas por participar "efetivamente" da chacina.Até o momento, cinco pessoas suspeitas de envolvimento nos crimes estão presas. Entre elas, o fazendeiro Adriano Chafik Luedy, de 37 anos, apontado como mandante e um dos executores da operação no acampamento Terra Prometida, na Fazenda Nova Alegria. Chafik é o dono da propriedade, invadida em maio de 2002 pelo MST. Além das cinco vítimas fatais, outras 13 pessoas ficaram feridas durante a atuação de um grupo armado.Nesta terça-feira foi divulgado um laudo de exames de balística realizados pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil nas 12 armas apreendidas no interior da fazenda. A perícia comprovou tecnicamente que pelo menos cinco armas - três espingardas, uma carabina e um revólver calibre 32 - foram usadas na chacina. De três delas teriam saído os disparos que mataram os sem-terra."As outras sete armas podem ter sido usadas, somente não foram encontrados elementos técnicos para se afirmar isso. E, com certeza, nós podemos afirmar que mais um revólver calibre 38 e mais uma pistola calibre 380 foram efetivamente usadas na chacina", disse Guimarães.O fazendeiro, em seu depoimento ao delegado Wagner Pinto, admitiu que estava armado durante a operação no acampamento do MST e que teria efetuado o primeiro disparo. Alegou, no entanto, que agiu em legítima defesa após de ser atingido por um golpe de foice. Testemunhas disseram que ele portava uma pistola 380.

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