Polícia indicia dono de empresa de segurança no Paraná

Ele dava proteção à fazenda invadida domingo; ação deixou dois mortos

Miguel Portela, CASCAVEL, O Estadao de S.Paulo

24 de outubro de 2007 | 00h00

O proprietário da empresa NF Segurança, Nerci Freitas, foi indiciado ontem por homicídio doloso (com intenção de matar), formação de quadrilha, lesões corporais e tentativa de homicídio, depois de dar depoimento à Polícia Civil de Cascavel (PR). A empresa presta segurança na fazenda da multinacional Syngenta, em Santa Tereza do Oeste. A área foi invadida domingo por sem-terra e o confronto com seguranças deixou dois mortos e oito feridos.No depoimento, Freitas contou que foi avisado por um dos funcionários sobre a ocupação da fazenda e ordenou que um suposto refém fosse resgatado e objetos da empresa que ficam na fazenda, recuperados. Freitas afirmou que os seguranças foram recebidos à bala. Na saída da delegacia, confirmou a versão dada à polícia. Ele negou que os funcionários estivessem "fortemente" armados. "Os funcionários voltaram ao local para tentar negociar, mas foram recebidos à bala. Não estavam fortemente armados." Freitas já responde a denúncia na Polícia Federal de Cascavel por porte ilegal de munições. O delegado da PF José Alberto Iegas entregou ontem cópia do inquérito à Polícia Civil. Segundo Iegas, em vistoria no dia 27 de setembro foram encontradas munições ilegais de diversos calibres na empresa. Na época, os agentes prenderem em flagrante a mulher de Freitas, Maria Ivanete. O delegado confirmou que a NF Segurança tem autorização para funcionar e também para usar armas. Iegas aguarda posicionamento da Justiça para pedidos de busca e apreensão com o objetivo de aprofundar as investigações sobre ações da empresa. Entre as supostas irregularidades levantadas e que constam de um relatório está a contratação de seguranças com antecedentes criminais e outros que "nem mesmo têm capacitação e autorização para atuar como seguranças particulares". O delegado não quis comentar mais detalhes, alegando que as investigações correm em segredo de Justiça.Até agora, foram ouvidas 19 pessoas no inquérito sobre o confronto na Syngenta. "Esperamos concluir o trabalho policial dentro de 10 dias", disse o delegado Amadeu Trevisan. Ontem, os sete seguranças presos segunda-feira fizeram exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal de Cascavel. Apesar do reforço policial na região, a tensão ainda é grande entre ruralistas e sem-terra. O representante da Ouvidoria Agrária do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Marco Aurélio da Rocha, visitou os sem-terra na Syngenta. "Estou impressionado com o clima de tensão", disse o ouvidor. Ele afirmou que vai pedir a proteção aos trabalhadores que estariam sendo ameaçados por ruralistas.COLABOROU EVANDRO FADEL

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