Polícia Fedreal refoça segurança da ministra Ellen Gracie

Ex-presidente do STF seria alvo da quadrilha de Abadía e Beira-Mar, desmantelada durante Operação X

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2008 | 19h59

A Polícia Federal vai reforçar a segurança da ministra Ellen Gracie, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que seria um dos alvos dos traficantes Juan Carlos Ramirez Abadía e Fernandinho Beira-Mar. Apesar de ter sido vítima de um assalto no Rio e de pelo menos duas ameaças sérias de grupos criminosos desde o final de 2006 para cá, Ellen resiste em reforçar sua segurança. O plano de Abadia e de Beira-Mar foi desmantelado esta semana pela operação X da Polícia Federal.  Veja também:PF investiga se houve ajuda de policiais no esquema de Abadía Após denúncia de achaque, quadrilha vai para RDD em cadeiaDiretor do Depen confirma plano de fuga de Abadía e Beira-MarApós aviso de 'colaborador', Magno Malta pede proteção policialDiplomacia e barreiras jurídicas empacam estradição de Abadía Procurada, Ellen não quis se manifestar sobre o caso e sua assessoria explicou que, por razões óbvias, não faria comentários sobre o esquema de segurança dela. Em Mato Grosso do Sul, o Ministério Público divulgou nota segundo a qual não foi confirmada versão de que os dois traficantes pretendiam seqüestrar a ministra ou seus familiares.  Como presidente do STF até o primeiro semestre deste ano, Ellen rejeitou todos os recursos que beneficiavam os traficantes Beira-Mar e Abadía, além de outros bandidos de peso que com eles convivem na penitenciária federal de Campo Grande. Abadía está com pedido de extradição aprovado pelo STF e só aguarda a assinatura do ato pelo presidente Lula para ser mandado para os Estados Unidos. A PF esclareceu nesta sexta-feira, 8, que a hipótese de envolvimento de agentes penitenciários com o esquema criminoso montado pelos dois traficantes, embora tenha sido uma das primeiras investigadas, como é praxe nesses casos, está praticamente descartada e que até agora houve colaboração total dos servidores com as investigações. Mas as investigações prosseguem e alguns familiares e pessoas ligadas aos bandidos podem ainda ser presos nos próximos dias. Os dois traficantes se uniram a dois grandes assaltantes de bancos, também presos no presídio federal de Campo Grande e montaram uma estratégia criminosa para obter benefícios financeiros e penais. O objetivo do plano era chantagear as autoridades para obter dinheiro e forçar a liberdade de integrantes de suas quadrilhas que estão presos.  A serviço de Beira-Mar e Abadía, seqüestradores recrutados com a ajuda de advogados e familiares de presos, fariam pelo menos cinco reféns de projeção, numa imitação capenga do estilo de ação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Outros alvos cogitados pelo bando seriam familiares do presidente Lula e do ministro da Justiça, Tarso Genro.

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