Polícia Federal prende filho de governadora do RN

A Polícia Federal prendeu ontem 12 pessoas, entre as quais Lauro Maia, assessor parlamentar e filho da governadora Wilma Faria, durante a Operação Hígia, destinada a desarticular esquema criminoso que teria desviado R$ 36 milhões de contratos de prestação de serviços terceirizados na área de saúde. Foram expedidos 13 mandados de prisão pelo juiz Mário Jambo, da 2.ª Vara Federal, mas até o início da noite um deles ainda não havia sido cumprido. Das 12 prisões, 11 ocorreram no Rio Grande do Norte e uma na Paraíba, Foram cumpridos também 42 mandados de busca e apreensão nos dois Estados. A Operação Hígia - uma referência à deusa grega da saúde - mobilizou 200 policiais federais desde as 5h30 de ontem.De acordo com Caio Bezerra, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal no Estado, a quadrilha atuava em contratos de terceirização de serviços de mão de obra, manutenção e limpeza hospitalar, fraudando licitações. As investigações começaram há mais de dois anos. O advogado de Lauro Maia, Erick Wilson Pereira, pediu habeas-corpus em favor de seu cliente, no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, mas ele foi negado. "O que há contra Lauro é apenas uma informação que é parte de um depoimento da ex-candidata a vereadora em Natal Jane Alves", protestou o advogado.Ele considera desnecessária a prisão temporária de seu cliente. "Se o juiz que decretou a prisão reconhece que as investigações estavam no final, por que a temporária, que só é decretada no começo do processo?", argumentou. Ele disse que os policiais levaram o computador e alguns documentos referentes ao Imposto de Renda do assessor parlamentar.O superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Norte, Hélio Sant''Anna, afirmou disse que apesar da prisão de seu filho não existe nenhum indício que ligue a governadora Wilma Faria ao esquema. "Não recebi nenhum telefonema da governadora sobre qualquer providência referente ao caso", ressaltou. Sant''Anna, informou que órgãos como a Receita Federal, Controladoria-Geral da União e os Ministérios Público Federal e do Estado participaram das investigações. Antes da ação de ontem, a Polícia Federal apreendeu R$ 35 mil com uma das pessoas envolvidas, que não teve o nome revelado. Segundo Sant?Anna, uma procuradora do Estado também cooperava com o grupo, emitindo "pareceres em favor do esquema".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.