Polícia Federal prende agente da PRF acusado de fraudar concurso da Abin

Inspetor que vendia o gabarito da prova também tentou se beneficiar do esquema, mas, mesmo tendo as respostas, não foi aprovado

Marcelo Godoy/SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2010 | 21h45

A Polícia Federal (PF) prendeu ontem um inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) acusado de participar da quadrilha que fraudou o concurso para oficial de inteligência da Agência Brasileira de Informação (Abin). O inquérito do caso, que faz parte do grupo de concursos públicos fraudados investigados pela Operação Tormenta, foi concluído pela PF com o indiciamento de sete acusados de vender o gabarito da prova e de 14 candidatos que pagaram de R$ 50 mil a R$ 100 mil pelas respostas.

 

O agente preso era responsável pela guarda dos gabaritos e das provas - elas vinham da gráfica e ficavam na sala do inspetor na sede da Superintendência da PRF em São Paulo antes de serem distribuídas aos candidatos no dia do exame. Além de participar da quadrilha, o próprio inspetor tentou se beneficiar. De acordo com o delegado Vitor Hugo Rodrigues Alves Ferreira, da PF, ele se inscreveu no concurso para a Abin, ocorrido em 2008, mas, apesar de ter o gabarito em mãos, não foi aprovado.

 

O inspetor teve a prisão decretada pelo juiz Hebert Cornélio Pieter de Bruyn Junior, da 3ª Vara Criminal Federal de Santos. Durante as investigações, a organização criminosa montada para as fraudes teria intimidado testemunhas do caso. Para o delegado, seria temerário manter em liberdade o inspetor. "A prisão dele servirá para garantir a ordem pública e a instrução penal", afirmou o delegado.

 

O inspetor foi preso ontem pela PF na sede da PRF em São Paulo, com a participação da Corregedoria do órgão. O acusado, cujo nome não foi divulgado, negou as acusações ao depor. Além dele, outro inspetor da PRF - Maurício Toshikatsu Iyda, já estava preso por causa das fraudes nos concursos da PF e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - pelas quais 37 pessoas já foram denunciadas pelo Ministério Público Federal.

 

O inspetor Iyda também estariam envolvido na fraude da Abin - ele também alega inocência. Os outros supostos integrantes da organização seriam advogados e empresários. Eles são acusados de formação de quadrilha, peculato, violação de sigilo funcional, corrupção ativa e estelionato. Os candidatos beneficiados são acusados de estelionato e receptação de objetos roubados.

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