Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Polícia Federal investiga transferência ilegal de R$ 300 mi pela Delta

Construtora do empresário Fernando Cavendish teria repassado valor a 19 empresas de fachada, de acordo com apurações da Operação Saqueador da Polícia Federal; empresa foi alvo da CPI do Cachoeira em 2012

Atualizado às 17h30, Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo

01 de outubro de 2013 | 14h36

As investigações da Polícia Federal que envolvem a Construtora Delta, do empresário Fernando Cavendish, apuraram indícios de que foram transferidos cerca de R$ 300 milhões da empreiteira para 19 empresas de fachada, entre 2007 e 2012. A informação foi divulgada na tarde desta terça-feira, 1º, pelo delegado da Polícia Federal Tácio Muzzi, coordenador da Operação Saqueador, que cumpriu 20 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás.

Os policiais estiveram na sede da Delta, em alguns endereços das empresas fictícias e na casa de Cavendish, na Avenida Delfim Moreira, na orla do Leblon, zona sul do Rio. Na residência, foram apreendidos além de computadores e documentos, três carros de luxo que pertencem ao empresário, segundo a PF. "Há indícios de que eles (os veículos) foram adquiridos com dinheiro ilícito", disse o superintendente da PF no Rio de Janeiro, Roberto Cordeiro.

Segundo o delegado, o fato de a Delta ter importantes contratos de obras públicas leva a indícios de desvios "de recursos federais, estaduais e municipais". Os policiais também informaram ter apreendido R$ 350 mil em espécie, em escritórios e residências do Rio de Janeiro e São Paulo.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Delta informou que vai colaborar com as autoridades.

A Delta passou a ser investigada após a prisão de Carlinhos Cachoeira, em fevereiro de 2012, na Operação Monte Carlo, que desarticulou esquema de jogos de azar em 4 Estados e no Distrito Federal. Escutas da Polícia Federal mostraram que Cachoeira pediu ajuda ao então senador Demóstenes Torres - que foi cassado depois - para beneficiar Fernando Cavendish, que era presidente da Delta. Segundo a PF, havia indícios de que parte dos recursos da Delta era transferida para empresas fantasmas ligadas a Cachoeira.

Em abril, foi instalada a CPI do Cachoeira para investigar o caso. Maior empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) até surgir o caso Cachoeira, a Delta foi considerada pela Controladoria-Geral da União "inidônea" em junho. Em dezembro, a CPI do Cachoeira foi encerrada sem apontar responsáveis. Em razão do escândalo, Cavendish deixou o conselho de administração da empresa.

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