Polícia Federal começa megaoperação no ES na 2ªF

A Polícia Federal começa, na próxima segunda-feira, uma megaoperação com duração de 90 dias, para combater o crime organizado no Espírito Santo. A devassa, a primeira a ser realizada efetivamente no Estado, contará com 50 agentes, 5 delegados e 2 peritos criminais, a maioria do Comando de Operações Táticas (COT), a unidade de elite da PF, e poderá refletir-se como uma intervenção branca da União.O Ministério Público Federal também enviará à Vitória o mesmo grupo de procuradores que trabalhou no Acre, no episódio do ex-deputado Hildebrando Pascoal. É esta a primeira medida adotada pelo grupo de trabalho constituído nesta quinta-feira pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para atacar a criminalidade no Estado e a resposta do governo federal aos deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara que defendiam a intervenção no Espírito Santo.Os próprios parlamentares, acompanhados de representantes de organizações não-governamentais (ongs) entregaram a proposta de medidas ao secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro, numa reunião nervosa ocorrida nesta quinta-feira pela manhã.Após o encontro, o grupo se reuniu com o ministro da Justiça, Paulo Tarso Ribeiro, que anunciou um pequeno pacote de medidas para acabar com o crime organizado no Estado. Segundo ele, o pessoal da PF atuará em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal, Gabinete Institucional da Presidência, Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf) e Banco Central.As polícias civil e militar, suspeitas de sofrerem infiltração do crime organizado, ficarão fora do esquema. O custo de três meses de atividade extra da Polícia Federal no Estado está avaliado em R$ 1,5 milhão. O ministro afirma que o Tesouro já recebeu ordens de repassar os recursos.Também na segunda-feira, o ministério receberá a lista de pessoas que cooperaram com as investigações e que serão incluídas no Programa de Proteção às Testemunhas. O representante do Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH), Romeu Klich, informa que constam da relação juízes, promotores e membros do Poder Legislativo e Executivo.Será feita varredura nos telefones das pessoas que receberam ameaças para descobrir de onde partiram as ligações. De acordo com o ministro, será criada uma delegacia especializada da PF em São Mateus para auxiliar a que já funciona em Cachoeiro do Itapemirim.A procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Raquel Dodge, acredita que será possível reverter a situação de impunidade no Estado, atraindo para a Justiça Federal o julgamento de crimes relacionados com a violação dos direitos humanos.Outra saída, segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), é transformar em medida provisória o projeto de lei de sua autoria que transfere para a área federal os casos denunciados a organismos internacionais.Ele diz que o presidente Fernando Henrique Cardoso se prontificou a analisar a idéia. Somente contra o presidente da Assembléia, deputado José Carlos Gratz (PFL), suspeito de comandar o crime organizado, há 14 processos em andamento e nenhum sinal de conclusão à vista.Para Fantazzini, outra forma de vencer a impunidade depende da pressão da sociedade e dos órgãos de comunicação. "O presidente pediu um voto de confiança, e acho que todos nós devemos colaborar", defende o parlamentar.Ele e demais militantes dos direitos humanos apoiaram a decisão do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) de propor a intervenção federal no Espírito Santo. Como o pedido foi vetado pelo procurador-geral da República, afirmam que estão prontos a colaborar com as operações da Polícia Federal.

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