Polícia Federal calcula que 80% aderiram à greve

Em torno de 80% dos policiais, peritos e papiloscopistas da Polícia Federal paralisaram hoje suas atividades, na primeira grande greve desencadeada por funcionários públicos federais no atual governo. As operações Suporte, que combate o crime organizado no Rio de Janeiro, e a Unaí, que investiga a morte dos fiscais do Ministério do Trabalho em Minas Gerais, foram as maiores prejudicadas com a manifestação, já que todos os agentes que trabalhavam nos dois casos, aderiram ao movimento. A direção da PF editou uma portaria estipulando regras para os grevistas que devem deixar suas armas e coletes nas repartições.O primeiro dia de greve foi tranqüilo, já que, ao contrário do que se esperava, não foi registrado nenhum incidente em todo o País. Os policiais dos Estados do Sul e Rio foram os que tiveram maior adesão ao movimento, com quase 100% de adesão, mantendo-se apenas os serviços essenciais, como emissão de passaportes para casos excepcionais, plantões, segurança de autoridades e vigilância da carceragens. Nas demais regiões, em torno de 70% dos policiais paralisaram suas atividades, mas nos próximos dias o número poderá ser maior, conforme admite a PF, que espera uma alternativa negociada para parar a greve. "Se a paralisação ultrapassar 15 dias, poderá ser o caos", afirmou uma fonte da cúpula da instituição. Os policiais federais reivindicam a equiparação salarial de nível superior, já que uma lei de 1996 estipulou a necessidade de curso universitário para a categoria, mas manteve os vencimentos como de nível médio. Para corrigir o equívoco, o governo precisa mandar um novo projeto de lei para o Congresso. Apesar de reconhecer que os motivos da greve são legítimos, os Ministério da Justiça e do Planejamento alegam falta de recursos para atender à reivindicação dos policiais. Os salários iniciais da categoria, que hoje estão em torno de R$ 4,1 mil, subiria para R$ 7,4 mil, elevando a folha de pagamento do funcionalismo de R$ 150 milhões para R$ 600 milhões. Segundo avaliação da PF, apenas duas operações importantes, como de Unaí e Suporte, sofreram com a greve. No primeiro caso, os 10 agentes que trabalhavam na investigação da morte dos fiscais do Trabalho, foram substituídos por delegados. "Vamos fazer isso sempre que for necessário", afirma uma fonte da PF. Os grevistas também querem a adesão dos policiais recém-incorporados, que ainda estão no estágio probatório, que poderia engrossar em pelo menos 10% o movimento, mas assessores da direção da instituição afirmam que os agentes podem ser demitidos pelo fato de não haver legislação que permita o direito de greve a funcionários em treinamento.Leia maisPF também pára no RioPF entra em greve em AlagoasPF entra em greve hoje; adesão pode ser de 90%

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