Polícia faz nova varredura na Câmara em busca de grampos

Operação que começou na quarta-feira visa investigar suspeita de espionagem de opositores do governador

Carol Pires, da Agência Estado,

11 de fevereiro de 2010 | 13h04

A Polícia Civil fará uma nova varredura nesta quinta-feira, 11, à noite na Câmara Legislativa do Distrito Federal para tentar identificar possíveis escutas ilegais na Casa. Policiais estiveram na Câmara até o início desta madrugada e vistoriaram os gabinetes de quatro deputados distritais - Erika Kokay (PT), Paulo Tadeu (PT), José Antônio Reguffe (PDT) e Jaqueline Roriz (PMN). Nada foi encontrado. A nova varredura será feita nos gabinetes dos outros 20 deputados distritais.

 

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Apenas os deputados de oposição levantaram a suspeita de estarem sendo espionados, mas a intenção do presidente da Câmara, Wilson Lima (PR), ao vistoriar todos os gabinetes, é sanar qualquer dúvida posterior de que outros parlamentares também podiam estar sendo grampeados. A deputada Érika Kokay, no entanto, ironizou a demora em investigar o caso. "Uma semana depois da prisão dos policiais, claro que não iam achar nada", disse.

 

A Polícia Civil prendeu, na semana passada, dois policiais de Goiás com aparelhos de escuta ambiental em frente à Câmara Legislativa e abriu inquérito para apurar se eles estavam à serviço de pessoas ligadas ao governador José Roberto Arruda, como suspeitam os deputados da oposição. Arruda é acusado, em inquérito policial, de ser o chefe do esquema de corrupção no governo do Distrito Federal. Ele é alvo de três pedidos de impeachment na Câmara Legislativa.

 

A denúncia de que parlamentares estavam sendo espionados também deve ser investigada pela CPI da Corrupção. Requerimento do deputado Paulo Tadeu (PT), que ainda precisa ser aprovado pela comissão, pede que sejam convocados José Henrique Daris Cordeiro e Luis Henrique Ferreira, policiais do Estado de Goiás, presos com as escutas ambientais. O servidor Francisco do Nascimento Monteiro também pode ser convocado porque, segundo o deputado Paulo Tadeu, ele teria ajudado os policiais na montagem das escutas. Monteiro é lotado no gabinete do deputado Benedito Domingos (PP).

 

"Não bastasse a onda de corrupção que permeia o governo Arruda, o Distrito Federal depara-se agora com os desdobramentos nefastos da Operação Caixa de Pandora. Para amedrontar deputados e pôr fim às investigações do maior escândalo de corrupção deste país, estão sendo contratados arapongas com o propósito de fazer escutas telefônicas ilegais na Câmara Legislativa", critica Paulo Tadeu no requerimento.

 

Inquérito

 

Os deputados da CPI da Corrupção foram, ontem, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedir ao ministro Fernando Gonçalves, relator do inquérito que investiga o esquema de corrupção no governo local, conhecido como "Mensalão do DEM", a cópia integral do inquérito. Os deputados tiveram acesso, porém, apenas à parte já conhecida do inquérito.

 

Antes de decidir se os deputados distritais terão ou não acesso ao conteúdo sob sigilo judicial, o ministro pretende consultar o Ministério Público. A nova reunião da CPI da Corrupção está marcada para a próxima quinta-feira, às 10h.

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