Polícia faz batida em diretório do PMDB em Campos

A dois dias do segundo turno das eleições municipais, por volta das 19h30 desta sexta-feira, promotores eleitorais e soldados da Polícia Militar foram até o diretório municipal do PMDB em Campos dos Goytacazes, norte fluminense, checar uma denúncia de compra de votos. A Polícia Federal foi chamada. O presidente regional do PMDB, Anthony Garotinho, esteve na sede e afirmou que o que estava sendo feito era o pagamento rotineiro de cabos eleitorais. Ele afirmou que ação foi uma arbitrariedade.Garotinho permaneceu no diretório com os policiais até as 21h15. "O que houve aqui é uma arbitrariedade sem precedentes. Aqui não tem ladrão. Se quiserem prender ladrão é mais fácil procurar na prefeitura", declarou, numa referência ao prefeito Arnaldo Vianna (PDT), que responde a processo por improbidade administrativa e chegou a ser afastado temporariamente do cargo esta semana.O presidente regional do PMDB argumentou que havia escolhido o diretório para o pagamento para dar mais transparência e afirmou ter pedido o reforço do policiamento na área. "Vocês acham que eu ia comprar voto na sede do partido, no centro da cidade, com reforço policial?", questionou.Até as 22 horas, agentes da PF e PMs ainda estavam com os procuradores na sede do partido, no centro. Luiz Rogério Magalhães, tesoureiro da campanha do candidato de Garotinho, Geraldo Pudim (PMDB), disse que no local há apenas documentos e dinheiro para pagamento de cabos eleitorais. Dezenas deles aguardavam o desfecho do episódio no lado de fora.Rivalidade e acusaçõesA rivalidade eleitoral na cidade, reduto político de Garotinho, licenciado do cargo de secretário de Segurança Pública, e de sua mulher, a governadora Rosinha Matheus, vem aumentando a cada dia, com acusações mútuas. Na manhã dessa sexta-feira, Garotinho numa rádio da cidade que os eleitores fizessem denúncias à polícia contra o candidato adversário, Carlos Alberto Campista (PDT). Acusando os adversários de compra de votos, ele deu, em entrevista por telefone à Rádio Litoral, um número de telefone do que batizou de Disque Compra de Votos. O telefone era da 134º delegacia de polícia.O telefonema de Garotinho interrompeu a entrevista que Pudim dava no estúdio da rádio, que também transmite para um canal de TV a cabo. "O motivo da minha ligação é para que os ouvintes possam anotar o telefone para que eu possa fazer o Disque Compra de Votos. É o disque-denúncia daqueles políticos que usam a prática da compra de votos a cabos eleitorais", disse Garotinho, que acusa Campista e o prefeito Arnaldo Vianna, padrinho político do candidato, de comprarem votos na reta final do primeiro turno para chegar ao segundo, contrariando as pesquisas. Em outro trecho, Garotinho admite que o telefone é da polícia. "A pessoa não precisa se identificar. Pode fazer a denúncia anonimamente. A polícia vai e verifica". Pudim endossou as declarações de Garotinho, que afirmou ainda que os adversários pegam "títulos das pessoas para votar no lugar delas com o documento". Campista reagiu à declaração dizendo que "isso é encenação, mais um truque do casal Garotinho, tentando esconder o que eles fazem descaradamente. Tentam mascarar a realidade. O ataque é a melhor defesa, conheço essa tática", disse o pedetista, que também atribui aos peemedebistas a prática de pagar pessoas para votar com o título de outras. Ele fez referências aos títulos de eleitores apreendidos quinta-feira com cheques-cidadão na casa de um partidário de Pudim.As acusações de corrupção ao prefeito Arnaldo Vianna, réu num processo por improbidade administrativa que terminou com seu afastamento temporário, foram utilizadas mais uma vez por Garotinho e Pudim no encerramento dos comícios de quinta-feira, embalados por um show do cantor Daniel no Centro da cidade.

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