Polícia e MST entram em confronto no Paraná

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) acusou nesta sexta-feira a Polícia Militar do Paraná de agir de forma violenta na desocupação da Fazenda Três Pontos, em Diamante do Oeste, a 580 quilômetros de Curitiba, no oeste do Estado.De acordo com o movimento, seis sem-terra ficaram feridos e dois permanecem internados, com fratura nos braços. Três sem-terra foram presos, sob acusação de porte ilegal de armas, e outros seis, por desobediência. A Secretaria de Estado da Segurança Pública afirmou que houve reação por parte dos sem-terra. "Foi um longo processo de negociação e tomamos todas as cautelas, mas infelizmente os ocupantes tentaram agredir a polícia, que teve de se defender", disse o comandante do Policiamento do Interior, major Celso José Mello.A fazenda, de 1.452 hectares, pertence ao argentino naturalizado paraguaio César Cabral. Ela foi invadida no dia 30 de janeiro por cerca de 300 integrantes do MST. Uma semana depois, a Justiça concedeu mandado de reintegração de posse. De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), foi feita uma proposta de compra para o proprietário, mas não houve interesse dele na negociação. O confronto começou a se desenhar pela manhã, quando aproximadamente mil sem-terra, armados com foices, pedaços de madeira e ferro, mobilizaram-se na rodovia que dá acesso à propriedade e fizeram dois bloqueios. Enquanto isso, outro grupo foi para a cidade, onde cerca de 800 de policiais militares preparavam-se para cumprir a ordem de reintegração. A população ficou assistindo à movimentação dos dois grupos. Por volta do meio-dia, as barreiras foram desmontadas e os sem-terra transferiram-se para a fazenda.De acordo com eles, os policiais chegaram na fazenda às 13h30, dando tiros com as balas de borracha e lançando bombas de gás. "A Polícia Militar não cumpriu o acordo feito com os sem-terra, na presença da sociedade de Diamante do Oeste, onde foi acordado que os trabalhadores estariam desocupando a sede da fazenda e montando acampamento em 6 alqueires, dentro da área, por duas semanas, até encontrar outro local para levar as famílias", disse uma nota distribuída pelo movimento. De acordo com um integrante do MST, que estava no hospital nesta noite, a situação já estava calma na fazenda. Os sem-terra seriam levados para outro acampamento na região ainda durante a noite.

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