Polícia do Senado abre inquérito contra Agaciel

Ex-diretor é acusado de empregar filha de amigo no gabinete de Demóstenes Torres sem conhecimento do senador do DEM

Leandro Colon, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

A Polícia Legislativa do Senado divulgou ontem que abriu inquérito para investigar a nomeação secreta de Lia Raquel Vaz de Souza para trabalhar no gabinete do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) em 2007.Ela é filha de Valdeque Vaz de Souza, braço direito do ex-diretor-geral Agaciel Maia. Demóstenes acusa Agaciel de nomeá-la sem o seu aval. O ex-diretor teria usado uma vaga no gabinete do senador para abrigar a filha de um grande amigo.Esse inquérito interno vai reunir um trio que agiu em conjunto há três anos: Agaciel, Valdeque e a Polícia do Senado. Em 2006, o segurança Marinalvo Gomes Araújo denunciou que Valdeque esteve na sala de Agaciel, na madrugada do dia 24 de julho daquele ano. O objetivo teria sido retirar documentos antes de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal que ocorreria dois dias depois na sala do chefe. O alarme do gabinete de Agaciel chegou a disparar naquela noite, de acordo com o relato do segurança. Marinalvo depôs por duas vezes ao diretor da Polícia do Senado, Pedro Araújo. O depoimento, porém, sempre foi mantido sob sigilo. E o segurança, deslocado para tarefas de menor interesse. A ação de Valdeque frustrou o plano da PF, que deflagrou naquela época a Operação Mão de Obra para desmontar um esquema de fraudes em licitações do ramo da terceirização.O Ministério Público e a Polícia Federal acusam Agaciel e o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) de receberem informação privilegiada de que haveria uma operação de busca na Casa. Na época, o episódio prejudicou a investigação e colocou em xeque a atuação da Polícia do Senado, que jamais revelou o conteúdo gravado pelas câmeras de segurança nos corredores da Casa naquela semana de julho. Agora, a mesma polícia vai investigar Agaciel e Valdeque. O senador Demóstenes pediu ainda para o Ministério Público e a Polícia Federal apurarem essa nomeação secreta.

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