Polícia do Rio encontra indício de apoio do tráfico a candidato

A polícia do Rio encontrou nessa quinta-feira na Favela da Rocinha, na zona sul da cidade, um documento supostamente elaborado pelo traficante Antonio Francisco Lopes, o Nem, no qual ele orienta a associação de moradores da comunidade a fazer campanha para um determinado candidato a vereador. "Ele está impondo o voto ao candidato dele e que ele vai apoiar", disse a jornalistas o delegado Alan Turnovisk, que comandou nessa quinta-feira uma mega operação na favela para apreensão de armas e drogas e para prisão de traficantes. "Esses currais eleitorais devem ser combatidos não só pela polícia, mas pelo Ministério Público, TRE e orgão competentes", acrescentou. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio vem recebendo várias denúncias de que candidatos estão sendo proibidos por traficantes e milícias de entrar em comunidades carentes e favelas para fazer campanha eleitoral. O veto estaria ligado à preferência dos traficantes e milicianos por determinados candidatos de suas comunidades. Segundo a polícia, o documento, que "se assemelha a uma ata de reunião", orienta os moradores a se empenharem na campanha de Luíz Cláudio de Oliveira, conhecido como Claudinho da Academia, que é líder comunitário e candidato pelo PSDC. Procurado pela Reuters, Oliveira não foi localizado. Além disso, o documento supostamente elaborado pelo traficante proíbe que os moradores façam campanha e convidem para a Rocinha candidatos de fora da comunidade. Os nomes de ex-líderes comunitários da Rocinha aparecem no documento e a polícia já começou a investigá-los. Esta semana, uma candidata do PT à Câmara Municipal teve de pedir auxílio a policiais e fiscais do TRE para poder fazer panfletagem e corpo a corpo dentro da Rocinha. A polícia federal já abriu investigação para apurar as denúncias e informou que quem proibir candidatos de fazer campanha pode ser preso em flagrante por desrespeito à lei eleitoral Na operação dessa quinta-feira, um homem morreu e dois ficaram feridos em confrontos com a polícia. (Por Rodrigo Viga Gaier)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.