Polícia detém oito em manifestações no Recife

Oito detenções foram feitas pela polícia de Pernambuco nas manifestações de 7 de setembro. Uma pessoa foi detida pela manhã depois do desfile militar e sete à tarde, na saída de uma passeata que acabou não se realizando devido à ação policial, que deteve estudantes em meio ao uso de bombas de efeito moral, balas de borracha e spray de pimenta. A ação revoltou os manifestantes e alguns estudantes gritaram palavras de ordem contra o governador Eduardo Campos: "Polícia terrorista, Eduardo fascista".

ANGELA LACERDA, Agência Estado

07 de setembro de 2013 | 18h40

A motivação principal da polícia junto aos manifestantes foi impedi-los de usar máscaras. O governo do Estado havia proibido o uso de máscaras, mas o Ministério Público autorizou, em respeito aos direitos constitucionais. "Foi uma emboscada", afirmou o advogado voluntário Pedro Teixeira ao destacar que os manifestantes haviam sido revistados na concentração.

Cinco estudantes foram detidos para averiguação depois de serem encaminhados para a delegacia de polícia. Eles foram ouvidos pelo delegado Cleurinaldo de Lima, registraram um boletim de ocorrência e, em seguida, serão liberados.

Um dos representantes da operação 7 de setembro no Recife disse que vai fazer uma denúncia pela violência da ação ao Ministério Público Estadual. O estudante José Barbosa, 21 anos, disse que estava de cara limpa, sem máscara e não entendia a razão de sua detenção. Segundo ele, "um policial teria o direito de abordá-lo se tivesse alguma acusação, mas não tinha".

No final da manhã, depois de encerrado o desfile militar na Avenida Mascarenhas de Moraes, o estudante de Mestrado em História Rodrigo Dantas, 24 anos, foi algemado e imobilizado no Metrô do bairro. De acordo com o advogado Pedro Teixeira, a polícia o imobilizou e borrifou spray de pimenta nos seus olhos. Ele foi levado à delegacia do bairro e precisou pagar fiança de R$ 1 mil para ser liberado. O ativista Rodrigo disse que vinha sendo perseguido pela polícia. A prisão foi injustificável, afirmou um advogado.

Durante o depoimento dos estudantes ao delegado, integrantes da passeata fizeram um "apitaço" em frente à delegacia contra as detenções consideradas por eles ilegais. A tropa de choque ficou posicionada em frente à delegacia para evitar a invasão, enquanto os estudantes voltando a repetir o jargão "Polícia terrorista, Eduardo fascista".

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