Polícia descobre telefonista de presos

A Polícia Civil de Campinas descobriu hoje uma central telefônica utilizada por presos de pelo menos quatro unidades carcerárias da cidade. A partir de um aparelho telefônico, apreendido pelos policiais, com uma linha fixa, os presos, utilizando celular, se comunicavam com outros telefones externos. A linha fixa pertence a Virgínia Paula, namorada de um presidiário, identificado como Leandro.A polícia investiga a possibilidade de a central telefônica estar a serviço do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o delegado seccional de Campinas, Osmar Porcelli, há 15 dias a Corregedoria de Polícia teve a informação de que alguns presos estavam utilizando uma central para comunicação externa. A Polícia Civil e a Corregedoria investigaram a denúncia e chegaram à linha fixa de Virgínia, instalada na sua residência. O flagrante ocorreu hoje, às 11 horas.Virgínia, que mora com o pai em uma casa simples da periferia, contou ao delegado que comprou o telefone há dois anos. A empresa Telefônica, que atua na região de Campinas, instalou a linha há 60 dias, na mesma época em que Leandro foi preso, acusado de roubo. O namorado, detido na Cadeia de São Bernardo, orientou a moça a aceitar suas ligações a cobrar e transferi-las para outras pessoas, com as quais ele quisesse falar. Porcelli explicou que a transferência é possível por meio de serviços disponibilizados pela própria Telefônica. Depois de alguns dias, disse o delegado, Virgínia passou a receber ligações de outros presos, e acabou se transformando em telefonista a serviço de pelo menos quatro unidades carcerárias.Virgínia foi detida, prestou depoimento e irá responder processo em liberdade. O delegado disse que ela não esboçou nenhuma reação ao ser flagrada, e disse que queria se afastar do esquema. "Ela não pagou a última conta para que a empresa cortasse a linha e os telefonemas cessassem. Disse que precisava desligar o telefone para conseguir fazer alguma coisa", comentou.

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