Polícia descobre planos do PCC

Explodir uma torre de energia para provocar um apagão, seqüestrar uma autoridade do Estado a fim de chantagear o governo e assassinar presos rivais. A mais recente investigação da Polícia Civil sobre os planos do Primeiro Comando da Capital (PCC) levou à cadeia o advogado Mário Sérgio Mungioli, principal defensor da cúpula da facção criminosa, e revelou quais eram os próximos passos do PCC. Preso em flagrante sob a acusação de formação de quadrilha, Mungioli ia transmitir uma mensagem ao líder máximo do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e apanhar ordens para o restante da organização. Marcola está preso na penitenciária de segurança máxima de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, cidade na qual o advogado foi preso logo após visitar seu cliente. A equipe do delegado Ruy Ferraz Fontes, da Delegacia de Roubo a Bancos do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), vinha monitorando os passos de sete pessoas, entre elas advogados, havia cerca de dois meses. Para tanto, fazia escutas telefônicas autorizadas pela juíza corregedora do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), Ivana David Boriero. Os defensores não atuam nos processos dos líderes da facção, mas visitam freqüentemente os membros do PCC em cadeias do Estado. São "pombos-correio". As escutas revelam que o PCC vinha preparando uma série de ataques. O que mais preocupava a Polícia Civil e o Judiciário era o seqüestro de uma autoridade que só seria libertada com a seguinte condição: a saída dos "irmãos" do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), no qual os detentos permanecem isolados sob um rígido sistema. O PCC tinha como alvos uma autoridade do Palácio dos Bandeirantes ou um juiz. As escutas telefônicas mostraram que apenas Marcola daria a ordem final para execução do plano. Por isso, o advogado que recebesse a tal ordem não poderia ter contato com mais ninguém ao sair da Penitenciária de Presidente Bernardes. Foi o que ocorreu com Mungioli. Ele havia recebido ordem de Marcola para que os "soldados" do PCC colocassem uma bomba numa torre de energia. Um mapa com o esquema do atentado foi apreendido pelo Deic. A facção já cometeu e planejou atentados contra a Bolsa de Valores, fóruns, agentes penitenciários e prédios da polícia. A investigação também mostrou como presos estão sendo assassinados nas penitenciárias. Os advogados levavam os casos até Marcola, que dava a sentença - na maioria das vezes de morte. A ordem, segundo a polícia, incluía o aviso de que a morte fora decretada por Marcola. O líder do PCC continua mandando na facção, mesmo preso em Bernardes - considerada pelo governo como a cadeia mais segura do País. É lá que está o traficante carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Agencia Estado,

01 Outubro 2003 | 01h49

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