Polícia descobre central telefônica clandestina em Campinas

A polícia civil de Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo, descobriu ontem, no final da noite, uma central telefônica clandestina utilizada por presos da Penitenciária 3 de Hortolândia, principalmente pelo detento conhecido pelo apelido de "Alemão", para comandar o tráfico de entorpecentes na região do bairro Vila Industrial, em Campinas. No final do flagrante, cinco pessoas foram presas. A polícia quer agora descobrir a identidade de "Alemão".Policiais faziam ronda pela Vila Industrial, quando perceberam dois homens na janela de uma casa abandonada, no número 17 da Rua Prudente de Moraes. Anderson Reis da Silva, de 18 anos, e o menor T.G.S., de 14 anos, tentaram fugir com a aproximação dos policiais e foram capturados no telhado do imóvel.Dentro da casa, a polícia encontrou um tijolo e meio de maconha, totalizando 2,5 quilos, 12 trouxas e um saco plástico com o entorpecente. Foram encontrados ainda cinco aparelhos telefônicos, dois celulares, três carregadores, um rádio de automóveis, aparelhos eletrônicos, um talão de cheques e uma réplica em plástico de uma pistola calibre 45.Silva e o menor confessaram que atuavam no local como traficantes, orientados por "Alemão", detido na Penitenciária 3. Segundo eles, "Alemão" utilizava a central telefônica clandestina montada na casa para comandar o tráfico de dentro do presídio. A polícia também encontrou no imóvel carteiras de identidade de outras três pessoas, apontadas pelos dois rapazes como integrantes da quadrilha de "Alemão".Os acusados levaram os policiais até uma pensão na Rua Sales de Oliveira, nº 1.029, a três quarteirões do local, onde foram detidos Michel Junio Dalopria, de 19 anos, Maria Vitória Pablo, de 34 anos, e o menor BWGS, de 17 anos. Os três confessaram participar do esquema de tráfico.Dalopria confessou ainda ter matado um homem, identificado como Jaime Pielush Júnior, na última terça-feira, a mando de "Alemão". A vítima, de 21 anos, foi morta na Avenida Salles de Oliveira, também na Vila Industrial.Na pensão, os policiais apreenderam munição e um revólver calibre 38 com numeração raspada, que segundo Dalopria foi utilizado no assassinato de Pielush Júnior. O caso foi encaminhado para a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Campinas.Policiais não descartam a possibilidade de a quadrilha pertencer à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), mas explicaram que isso ainda será investigado. A perícia técnica foi acionada para descobrir como funcionava a central telefônica clandestina. A polícia informou que irá pedir a quebra do sigilo telefônico das linhas utilizadas pela quadrilha.

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