Polícia de São Paulo libera chefe de gabinete de Marco Feliciano

Polícia de São Paulo libera chefe de gabinete de Marco Feliciano

Deputado federal foi denunciado por ex-militante do PSC de tentativa de estupro; assessor foi acusado de coagi-la para que ficasse em silêncio

Valmar Hupsel Filho e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

06 Agosto 2016 | 01h47

O delegado Luís Roberto Hellmeister, do 3.º Distrito Policial (Campos Elísios), desistiu de pedir a prisão preventiva do chefe de gabinete do deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), Talma Bauer, e o liberou na madrugada deste sábado. Bauer havia sido conduzido ao DP após ser acusado de sequestro qualificado (cárcere privado) pela jornalista Patrícia Lelis, de 22 anos, que prestou queixa contra o parlamentar por assédio sexual, tentativa de estupro e agressão.

Segundo Patrícia, o assessor a coagiu a gravar vídeos nos quais ela nega ter sofrido a violência por parte do deputado. Ao decidir liberar Bauer, o delegado afirmou não ver elementos de que ele represente riscos à segurança da jovem. Em depoimento, o chefe de gabinete nega as acusações.

Patrícia afirmou ao Estado que foi atraída por Feliciano para seu apartamento funcional, em Brasília, no dia 15 de junho. “Ele falou que tinha uma reunião do PSC Jovem, mas quando cheguei la só estava ele”, afirmou. De acordo com a jornalista, o parlamentar teria proposto que ela fosse sua amante em troca de um cargo no partido e um salário de R$ 15 mil.

“Ele tentou me arrastar para o quarto e tirar meu vestido. Como eu resisti, ele me deu um soco na boca e um chute na perna”, disse Patrícia. A jornalista afirmou que só conseguiu escapar porque uma vizinha do deputado ouviu seus gritos e tocou a campainha para saber o que acontecia. (assista ao relato abaixo)

Acompanhada da mãe e de uma advogada, Patrícia também acusou dois outros políticos do PSC. Em seu relato, ela disse que, em 16 de junho, procurou por ajuda no partido, mas teria ouvido como resposta uma proposta para receber dinheiro em troca de seu silêncio.

Sacola de dinheiro. A oferta teria sido feita pelo presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, que foi candidato à Presidência da República em 2014. “O Pastor Everaldo me deu uma sacola de mercado cheia de dinheiro e disse que era para eu ficar quieta”, disse Patrícia. Segundo ela, Everaldo também a ameaçou de morte. Teria também participado da reunião o deputado federal Gilberto Nascimento (PSC-SP).

Patrícia afirmou que, após relatar o caso no PSC, passou a ser perseguida dentro do partido. Ela disse também que, logo depois do episódio, encontrou-se com Bauer, chefe de gabinete de Feliciano, em um café. A conversa entre os dois foi gravada em áudio e o arquivo enviado a amigos com a orientação de que deveria ser divulgado na internet caso acontecesse alguma coisa com a jornalista.

No sábado, Patrícia saiu de Brasília e veio para São Paulo. Assim que chegou à capital paulista, ela relatou que continuou a ser assediada por Bauer. Segundo ela, o chefe de gabinete a forçou a gravar dois vídeos em que negava as agressões e elogiava Feliciano. Os depoimentos foram publicados em redes sociais nesta semana. “Ele também apagou a senha do meu Facebook e do WhatsApp e passou a mandar mensagens em meu nome.”

O depoimento de uma testemunha à polícia na noite de ontem, porém, contrariou a versão da jovem. Segundo o relato, Patrícia fez um acordo para ficar em silêncio e negociou pagamento de R$ 50 mil. Parte do valor - R$ 21 mil - teria sido entregue a ela ontem, ainda segundo a testemunha.

Após o caso ser revelado pelo blog Coluna Esplanada, do portal de notícias UOL, a Procuradoria Especial da Mulher no Senado enviou, na quarta-feira, um ofício para que o Ministério Público Federal (MPF) investigue Feliciano.

Defesas. Procurado pelo Estado, Feliciano não foi localizado. Segundo um assessor do parlamentar, o deputado trocou de número de celular. Desde que a notícia sobre o caso veio a tona, o pastor tem usado as suas páginas em redes sociais para se manifestar. “Ao amigo não precisa explicar, ao inimigo não adianta explicar, o silêncio e o tempo se encarregam de tudo”, escreveu em uma postagem há dois dias. A assessoria de Feliciano afirmou que ainda não possui um posicionamento sobre o caso.

Pastor Everaldo disse que o tema será debatido na sigla na terça-feira e que será criada uma comissão interna para averiguar o caso. Ele nega ter oferecido dinheiro a Patrícia. “Não conheço essa história. Não sei do que se trata”, disse Everaldo. Nascimento não foi localizado.

Pastor Everaldo disse que o tema será debatido na sigla na terça-feira e que será criada uma comissão interna para averiguar o caso.

Segundo o dirigente, o deputado federal Marcondes Gadelha (PSC-PB) vai coordenar o processo. “Essa pessoa que está falando aí eu nunca recebi sozinho. Recebi uma única vez na sede do partido. Não conheço essa história. Não sei do que se trata”, disse Everaldo.

Nascimento não foi localizado para comentar o caso. / COLABOROU LUÍSA MARTINS

 

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