Polícia Civil de Pernambuco entra em greve

A Polícia Civil de Pernambuco entrou em greve hoje, por tempo indeterminado, reivindicando um reajuste salarial de 28%, que embute o aumento do salário-base de R$ 74,00 para R$ 180,00. O salário inicial da categoria, pago a carcereiros e motoristas, é hoje de R$ 550,00, incluindo gratificações. Com o reajuste passaria a R$ 700,00.De acordo com o presidente do Sindicato da Polícia Civil do Estado (Sinpol), Henrique Leite, a adesão à greve foi de 80% dos quase 5 mil policiais pernambucanos na ativa. Não há previsão de negociação com o governo estadual. A Secretaria de Administração informou que o Estado não pode conceder aumento porque ainda não está enquadrado na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que determina que a despesa com pessoal pode comprometer até 60% da receita corrente líquida. Pernambuco gasta 62% com o funcionalismo.Os grevistas decidiram garantir os serviços essenciais, mantendo em funcionamento 16 delegacias em todo o Estado - 12 no Interior e quatro na capital e região metropolitana -, o Instituto de Medicina Legal (IML) e o Instituto de Criminalística. O IML está recebendo e liberando os corpos, mas sem emissão de laudos.Os delegados não aderiram à greve e farão plantão em todas as delegacias - 187 no interior e 37 na capital e região metropolitana. "Nossa orientação é para os delegados não se ausentarem e não ficarem em seus gabinetes, atendendo diretamente à população nos casos de urgência", afirmou o diretor de Polícia Judiciária, Antonio Carlos Cavendish.Henrique Leite disse que a categoria quer acabar com uma distorção, pois o salário-base dos policiais está abaixo do salário mínimo. "O menor salário-base é de R$ 74,00 e o maior, o de comissário, é de R$ 172,00", afirmou Leite, lembrando que o governo do Estado, apesar da alegada dificuldade financeira, concedeu reajuste para a Polícia Militar, que fez greve de 12 dias no ano passado.

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