Polícia caça "quadrilha" de assentados do MST

A polícia civil gaúcha está procurando 12 integrantes do MST acusados de formar "quadrilha" para expulsar agricultores "em situação irregular" do assentamento de Rondinha, em Jóia, a 450 quilômetros de Porto Alegre. Entre os fugitivos está José Censi, assessor da Secretaria Estadual de Reforma Agrária. Um total de 30 assentados foram indiciados e 18 já foram presos em flagrante, por participarem de uma ação que redundou na morte do agricultor Pedro Milton da Luz Pedroso, de 49 anos, na madrugada de 7 de setembro.A delegada Carla Mussi Ramalho, de Ijuí, recebeu reforços da região para empreender a perseguição aos procurados. Ela não concluiu, entretanto, a investigação para identificar quais sem-terra estão envolvidos diretamente no assassinato. Conforme relatos à polícia, os matadores de Pedroso integram um "grupo de disciplina" de 60 colonos vinculados ao MST. Dias antes de ser morto, Pedroso teria recebido recados para deixar o assentamento, onde comprara terras de terceiros. Ele foi atingido por um tiro nas costas, disparado em frente a sua mulher e seu filho, de 12 anos.Pelo menos outras quatro famílias da região teriam sofrido ameaças do "grupo de disciplina", que teria o objetivo de patrulhar e expulsar das áreas de assentamentos agricultores que negociam lotes. Em depoimentos à polícia, quatro dos 18 presos com armas afirmaram terem sido organizados em uma patrulha destinada a "realizar um serviço em Jóia".Em nota oficial, o Incra acusou o MST de "ações ilegais" e alertou que os agricultores que "usurparem lotes de outros colonos de forma violenta serão excluídos do cadastro e do Programa Nacional de Reforma Agrária". O superintendente do órgão no Rio Grande do Sul, Jânio Guedes Silveira, convocou a Polícia Federal para auxiliar na reintegração do lote de uma das famílias expulsas, a do agricultor Dionísio Kalinoski.Oficialmente, os líderes do MST negam a existência de uma milícia e acusam técnicos do Incra de causar nervosismo entre agricultores ansiosos por terras e incitar a violência contra supostos compradores de lotes. Segundo os líderes do movimento, essa pressão teria culminado no assassinato de Jóia. "Era tudo o que o Incra queria", disse um dos líderes do MST, Toninho Mattes.Segundo ele, o movimento não emprestará apoio jurídico aos 18 suspeitos de homicídio que já foram presos porque não apóia sua ação, embora seja contrário ao comércio irregular de lotes. O superintendente do Incra alega, entretanto, que o próprio MST está por trás de algumas negociações de terras de assentamentos.O secretário estadual de Reforma Agrária, Antônio Marangon, afirmou que não vê José Censi, seu assessor responsável pela infra-estrutura dos assentamentos, desde quarta-feira. "No nosso entendimento, ele poderia responder ao inquérito sem necessidade da prisão preventiva. Não vamos exonerá-lo sem que haja direito de defesa", afirmou o secretário.

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