Polícia busca sem-terra suspeitos de chacina

Dois envolvidos na morte de quatro seguranças estão foragidos

Angela Lacerda, O Estadao de S.Paulo

26 de fevereiro de 2009 | 00h00

O serviço de inteligência da Polícia Militar de Pernambuco ajuda a polícia de São Joaquim do Monte, no agreste, na captura de dois sem-terra foragidos, suspeitos de terem participado diretamente da morte de quatro seguranças na Fazenda Consulta, no sábado à tarde. Um deles, Romero Severino da Silva, foi ferido no conflito. O outro não foi identificado."Continuamos as diligências, com o suporte do serviço de inteligência", afirmou o delegado Luciano Francisco Soares, responsável pelas investigações. O delegado espera obter hoje novas informações que possam ajudar na captura dos dois suspeitos, ao ouvir o depoimento de um segurança que conseguiu escapar da chacina.Os dois sem-terra autuados por homicídio qualificado e presos no mesmo dia do crime - o líder do acampamento, Aluciano Ferreira dos Santos, 31 anos, e Paulo Cursino Alves, 62 - negaram ter atirado nos seguranças e apontaram Romero, foragido, como autor dos disparos. O MST diz que os sem-terra atiraram em legítima defesa e evitaram um massacre, pois sofriam ameaças de morte.Os sem-terra reivindicam as fazendas Consulta e Jabuticaba, em São Joaquim do Monte, a 137 quilômetros do Recife, onde o MST já promoveu nove invasões e reocupações de terra, sempre retornando às propriedades depois de despejado por reintegrações de posse concedidas pela Justiça.Depois de visitar ontem a área de conflito em São Joaquim do Monte, o superintendente estadual do Incra, Abelardo Siqueira, disse que vai tentar se reunir com o proprietário da fazenda Jabuticaba. Segundo Siqueira, há uma controvérsia em relação às dimensões da propriedade, cuja área não está documentada em cartório. Ele pretende pedir ao dono, que há algum tempo apresentou uma escritura alegando que a fazenda tem 247 hectares , autorização para fazer a medição da área.Os sem-terra afirmam que a propriedade tem mais de 800 hectares e é improdutiva, sendo, portanto, passível de reforma agrária.Já a Fazenda Consulta, onde ocorreu o conflito entre seguranças e sem-terra, não pode ser desapropriada, de acordo com Siqueira. Ela foi herdada por quatro pessoas que a desmembraram e escrituraram. Cada um deles ficou com cerca de 250 hectares , o que caracteriza média propriedade.

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