Polícia bloqueia BR para evitar conflito entre MST e ruralistas

A Polícia Rodoviária Federal e a Brigada Militar (a polícia militar do Rio Grande do Sul) bloquearam a marcha dos sem-terra em direção a São Gabriel nesta quarta-feira para evitar que o grupo enfrentasse uma barreira montada por cerca de 200 produtores rurais na BR-290.Os cerca de 350 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) saíram de Santana do Livramento no dia 14 e já andaram 80 quilômetros do percurso de 120 quilômetros até a zona urbana de São Gabriel, onde pretendem fazer uma manifestação pela desapropriação das fazendas de Alfredo Southall, que têm 13,3 mil hectares. Os ruralistas temem que o grupo invada alguma fazenda da região.Quando ingressaram no território de São Gabriel, nesta terça-feira à tarde, os sem-terra encontraram a barreira dos fazendeiros. Os dois grupos passaram a noite a uma distância de 500 metros e entre eles ficou a polícia, para evitar confrontos.Ao amanhecer desta quarta-feira, os sem-terra se prepararam para avançar, mas foram contidos pela polícia. Ao longo do dia, os caminhantes tentaram retomar a marcha por mais quatro vezes, mas em todas foram dissuadidos sob a alegação de que poderiam ser agredidos. A cada movimento dos sem-terra, os ruralistas se postavam na rodovia anunciando que bloqueariam a passagem. Uma das líderes dos sem-terra, Irma Ostroski, disse que a polícia deveria garantir o direito constitucional de ir e vir aos cidadãos. O comandante da Brigada Militar na região, coronel Lauro Binsfeld, alegou que os caminhantes poderiam exercer esse direito para se deslocar por qualquer outra rota, menos naquela, porque poderiam se envolver num conflito.O presidente do Sindicato Rural de São Gabriel, Tarso Teixeira, justificou o bloqueio afirmando que os fazendeiros estão impedindo "atos criminosos" do MST, algo que, segundo ele, as forças legais não fazem quando há invasões e depredações de propriedades rurais.Em São Gabriel, o fazendeiro Alfredo Southall confirmou que está vendendo metade de suas terras à Aracruz Celulose para pagar dívidas que tem com o Banco do Brasil e voltar a produzir em paz com a área que lhe restar. O superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Mozart Dietrich, advertiu que a área não pode ser negociada por seis meses, desde o início de novembro, quando o órgão notificou o proprietário que faria vistorias para aferir a produtividade da terra. A vistoria foi suspensa por liminar na Justiça, mas o caso ainda esta sub judice.Nesta quarta-feira o MST iniciou uma terceira marcha no Rio Grande do Sul. Cerca de 250 sem-terra que estão vivendo num acampamento próximo da Fazenda Palermo, invadida e desocupada na semana passada, decidiram caminhar 46 quilômetros, até o fórum de São Borja, na fronteira oeste, para pedir que a Justiça acelere a análise da desapropriação da área de 1,1 mil hectares, na qual esperam assentar 56 famílias.A segunda marcha, que começou dia 14 em Arroio dos Ratos e quer chegar nos próximos dias à Fazenda Dragão, em Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, permaneceu parada a dez quilômetros do objetivo.

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