Polícia apreende documentos ligados ao ex-deputado Brunelli

Documentos apreendidos comprovam a lavagem de dinheiro por meio da Associação Monte das Oliveiras

Gheisa Lessa,

18 de junho de 2012 | 12h04

São Paulo, 18 - A Polícia Civil do Distrito Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão na manhã desta segunda-feira, 18, por meio da Operação Hofini II. A ação apreendeu documentos que podem comprovar a lavagem de dinheiro encabeçada pelo ex-deputado Júnior Brunelli, indiciado pelo caso "Mensalão do DEM", onde foi flagrado fazendo uma oração após receber dinheiro do delator do esquema, Durval Barbosa.

Denúncias anônimas afirmavam que pastores da Igreja Tabernáculo do Evangélio de Jesus, localizada no Recanto das Emas, no Distrito Federal, estariam escondendo documentos sobre as pessoas investigadas pela Operação Hofini. "Isso é ocultação de provas que interessam ao inquérito, conseguimos os mandados e fomos atrás", informa o delegado responsável pelas investigações, Henri Peres Lopes.

Os mandados foram cumpridos na Igreja e também na residência da advogada Marlucy de Senna Guimarães de Oliveira, e na casa do pastor Valdir Niasato, ambas localizadas em Taguatinga, bairro nobre do Distrito Federal.

Computadores, mídias eletrônicas, documentos contábeis e documentos relacionados aos investigados foram apreendidos por agentes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado de Brasília.

Os documentos apreendidos comprovam a lavagem de dinheiro por meio da Associação Monte das Oliveiras (AMO), informa o delegado Lopes. "Brunelli fazia emendas orçamentárias para destinar recursos para a AMO que, por sua vez, deveria realizar projetos para a melhoria da qualidade de vida de idosos e crianças da região, mas não fazia nada", diz Lopes.

"Notas fiscais falsas justificavam grosseiramente o uso das verbas em eventos que nunca aconteceram", afirma Lopes. Após a etapa, concluída nesta segunda, da Operação Hojini II, a presidente da AMO, Maria Soares de Almeida e a tesoureira da associação, Maria das Meces de Souza, foram indiciadas, além da advogada Marlucy e o pastor Valdir Niasato.

O delegado afirma ainda que nenhuma prisão foi efetuada, mas a hipótese não pode ser descartada "uma vez que as investigações continuam com o objetivo de identificar, e tomar as devidas medidas, com os culpados e envolvidos no caso", afirma Lopes.

O caso. O ex-deputado distrital Júnior Brunelli (DEM) é acusado de participar do esquema de distribuição de propina pelo governo do Distrito Federal, durante a gestão de José Roberto Arruda. O escândalo que ficou conhecido por "mensalão do DEM", e foi denunciado pelo delator do esquema, Durval Barbosa. Barbosa se filmou entregando dinheiro para o próprio Arruda e para uma série de parlamentares de Brasília. Nas filmagens de Durval, Brunelli reza depois de receber uma bolada de dinheiro. O episódio ganhou o nome de "oração da propina".

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