Polícia aponta fraudes em oito prefeituras do RS

Investigação apontou possível conexão com financiamento de campanhas eleitorais

Elder Ogliari, correspondente de O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2011 | 18h50

PORTO ALEGRE - A Polícia Civil recolheu nesta quarta-feira, 6, documentos em oito prefeituras do Rio Grande do Sul, durante uma das etapas da Operação Cartola, que investiga desvio de recursos de administrações municipais. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão da papeis e computadores em escritórios e residências de empresas e pessoas envolvidas com o esquema em outras duas cidades do Estado.

O delegado de Repressão aos Crimes Contra a Fazenda Estadual (Defaz), Joerberth Nunes, disse que a investigação, iniciada em setembro do ano passado, indica que uma empresa de publicidade, identificada como PPG, era favorecida em licitações públicas e, depois de contratada, terceirizava serviços, a preços superfaturados.

Os serviços prestados incluíam campanhas publicitárias, organização e promoção de eventos e fornecimento de materiais e serviços. O total dos contratos, somado desde 2008, é próximo de R$ 30 milhões, mas a polícia não tem um cálculo da parte deste valor que corresponde a serviços efetivamente prestados e a desvios.

Embora não tenha divulgado informações conclusivas, a polícia acredita que o caso possa ter alguma conexão com financiamento de campanhas eleitorais, seja por doações ou por prestação de serviços não declarados. Entre os envolvidos no esquema, que incluía distribuição de propinas, estariam alguns secretários e funcionários públicos municipais, mas não foi citado nenhum prefeito. Nunes afirmou que a investigação pode até ajudar alguns chefes de Executivos municipais a identificar servidores envolvidos com práticas fraudulentas. A polícia chegou a pedir a prisão de 16 pessoas, mas a Justiça negou, expedindo somente os mandados de busca e apreensão.

Os 550 policiais que foram às ruas durante a madrugada recolheram documentos nas prefeituras de Tramandaí e Osório, no litoral, Viamão, Cachoeirinha e Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre, Parobé, no Vale do Sinos, São Sebastião do Caí, no Vale do Caí, e Canela, na Serra. Além disso, houve buscas em endereços particulares de Porto Alegre e Canoas.

Quase todas as prefeituras envolvidas emitiram notas sobre a situação durante o dia, mostrando-se entre surpresas e indignadas. As de Tramandaí, Osório e Viamão anunciaram que suspenderam os contratos com a empresa até o esclarecimento dos fatos. A de Canela lembrou que o contrato foi celebrado pela administração anterior e mostrou-se pronta para colaborar com a investigação, assim como a de Alvorada. As de São Sebastião do Caí e Cachoeirinha destacaram que não mantêm mais contratos com a empresa. Os telefonemas da reportagem para a PPG não foram atendidos.

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