Polícia ainda não localizou corpo de Tim Lopes

A polícia não conseguiu localizar o corpo do jornalista da TV Globo Tim Lopes, apesar da operação que percorreu, durante toda esta segunda-feira, as Favelas da Grota e Vila Cruzeiro, zona norte, e envolveu agentes de cinco delegacias e um helicóptero.Os policiais encontraram apenas um Fiat Palio onde o corpo de Lopes teria sido levado da Vila Cruzeiro para a Grota ? conforme relataram dois suspeitos de envolvimento no crime presos neste domingo. Com o auxílio do helicóptero, a polícia descobriu uma área no alto da Grota que serviria de cemitério clandestino para o bando de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, líder da facção criminosa Comando Vermelho apontado como assassino de Lopes.No local, foram encontrados fragmentos de ossos humanos. A polícia não acredita que os ossos sejam do jornalista, porque eles estavam lá havia muito tempo. Nas árvores, havia manchas vermelhas que podem ser de sangue. Foi achada também uma corrente pendurada num galho, que seria usada como forca. Todo o material foi encaminhado para perícia."Recolhemos partes de vértebras e de costelas e alguns ossos de animais. Vamos continuar escavando", disse Bruno Gilaberte, da Delegacia de Homicídios. Foram mobilizadas ainda as delegacias de Brás de Bina, Bonsucesso, Penha e de Repressão a Entorpecentes, além da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), num total de 50 agentes.Um lago onde haveria restos humanos começou a ser drenado por bombeiros, mas as buscas foram suspensas no início da noite sem que eles tivessem conseguido retirar totalmente a água do terreno. O trabalho será retomado hoje. "Tudo indica que esse é um lugar usado para tortura e assassinato de inimigos. Há muitos calçados, provavelmente de corpos que foram deixados aqui", disse o delegado Daniel Goulart, da 38ª Delegacia Policial (Brás de Pina).Além da 22ª DP (Penha) e da 21ª DP (Bonsucesso), foram mobilizadas também a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e as delegacias de Repressão a Entorpecentes (DRE) e de Homicídios. A Polícia Federal está auxiliando a do Rio nas investigações sobre a morte do repórter.Já foram deslocados para o Estado 62 agentes do Comando de Operações Táticas (COT), esquadrão de elite da PF, que estão fazendo levantamentos sobre favelas da cidade. Para hoje, está previsto o envio de um helicóptero do COT, que já deslocou para o Rio quatro vans e um ônibus equipado até com explosivos.Nos retrovisores do automóvel encontrado pela polícia havia marcas de fuzil (os traficantes apóiam as armas nos espelhos, segundo os policiais). O carro havia sido roubado na Penha, onde ficam as favelas da Grota e Vila Cruzeiro, e foi achado na Grota. O Fiat Palio ELX, de cor branca e placa LML 0640, será examinado nesta terça pelos peritos, que procurarão impressões digitais e marcas de sangue.Na casa de Renato de Souza, o Ratinho, que seria comparsa de Elias Maluco, foram apreendidos uma moto, uma pistola, maconha, cocaína e uma granada.A polícia ouviu nesta segunda-feira o líder comunitário João Batista de Freitas Cerqueira, o João Rato, que seria o responsável pelo contato com os grupos que se apresentavam nos bailes funk da Vila Cruzeiro investigados por Tim Lopes. Segundo denúncias recebidas pela TV Globo, haveria venda de drogas e shows de sexo explícito com menores nos bailes."Temos que procurar os componentes dos grupos musicais e ver o papel dele (João Rato). Se for comprovado que ele é o contato, pedirei sua prisão temporária", disse o delegado Sérgio Falante. No depoimento, que durou uma hora, Rato afirmou que está na favela há apenas um mês e disse não ser o presidente da associação de moradores da Vila Cruzeiro, mas diretor administrativo e financeiro.Rato também disse que conhece "de vista" os traficantes Grande e José Capeta, do grupo de Elias Maluco, e que soube apenas por boatos dos moradores que um homem teria sido preso com uma câmera escondida.

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