Polícia acha registros de pagamentos a políticos

Na sede da Home Care, foram também encontradas minutas de [br]editais de licitações para prefeituras que estavam na mira do esquema

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

12 de novembro de 2008 | 00h00

A Polícia Civil de São Paulo apreendeu anotações de pagamentos a vários candidatos a prefeito e políticos na sede da Home Care, em Guarulhos, além de minutas de editais de licitações para prefeituras sob a mira da máfia dos parasitas. O Estado apurou que, entre as prefeituras supostamente envolvidas no esquema fraudulento investigado pela Unidade de Inteligência Policial (UIP) do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), estaria a de São Carlos, no interior paulista.Na casa de Leda Batistela Ferreira Pereira, ex-mulher de Renato Pereira Júnior, sócio da Home Care, os investigadores apreenderam títulos de propriedade de offshores que, segundo o relatório, são usadas pelo grupo para dissimular a propriedade das empresas dos envolvidos no suposto esquema. Também teria ficado "bem estabelecida" a relação de laranjas nas sociedades, como no caso do motorista Maurício do Nascimento Silva - ele consta como procurador da Velox Overseas S/A, com sede no Panamá.O material apreendido durante a Operação Parasitas - missão estadual deflagrada em 30 de outubro para apurar suspeita de fraude em licitações - confirmou que o grupo realiza aproximação com agentes públicos e oferece vantagens para "representantes do Executivo e do Legislativo". Também daria contribuição a candidatos a cargos políticos, "sobretudo com doações, uso de helicópteros para os deslocamentos, etc". Os policiais da UIP e promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) apreenderam aproximadamente 100 malotes com documentos.Até agora, apenas metade deles foi verificado, o suficiente para a polícia e o Gaeco tomarem a decisão de abrir um inquérito para apurar especificamente as fraudes nas prefeituras. Inicialmente, a máfia era suspeita de agir em 29 prefeituras de quatro Estados - Rio, São Paulo, Minas e Goiás. No curso da operação, no entanto, foram apreendidos documentos que mostram que a atuação do grupo seria mais ampla, envolvendo um número maior de prefeituras e Estados.Entre os documentos encontrados está um modelo de licitação feito dentro da Home Care, que seria enviado às prefeituras interessadas em contratar os serviços da empresa, fazendo com que a concorrência fosse dirigida. O objetivo da força-tarefa agora é fazer uma triagem dos documentos e aprofundar as investigações sobre o "braço político do esquema".Uma parte dos documentos arrecadados tem sido utilizada pela própria polícia. O restante está sendo remetido para os auditores estaduais, cujo foco principal é apurar as suspeitas de sonegação fiscal. Quando os papéis interessam a ambos, a UIP encaminha cópias à Secretaria da Fazenda.DEPOIMENTOOntem à tarde, a polícia colheu o depoimento de Leda. Segundo o Estado apurou, a ex-mulher de um dos sócios da Home Care deu respostas evasivas. Sobre o material encontrado na casa dela, disse que tudo pertencia ao marido e que desconhece o conteúdo dos documentos. O advogado de Leda, Roberto Podval, disse que não poderia falar porque os autos estão sob segredo de Justiça.A Prefeitura de São Carlos afirmou que não mantém contratos com a Home Care. Confirma, porém, que foi procurada neste ano pela empresa - que teria solicitado informações genéricas, como o número de hospitais e a quantidade de medicamentos consumida por mês.

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