Polenta, torresmo e frango à espera do baiano

Amigos recordam passos de Lula e Marisa, incluindo o noivado, e, apesar de especulações, apostam que petista fica na cidade

Fausto Macedo / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

31 Dezembro 2010 | 23h00

Bandejas de polenta frita e travessas de frango a passarinho e torresmo crocante esperam por Lula e Marisa no Restaurante São Judas Demarchi, onde o PT nasceu. "Eles gostam de ficar aqui", relata Laerte Demarchi, de 65 anos, apontando para a mesa de frente para o espelho d’água onde tantas vezes o casal enamorado se serviu em jantar dançante, ao lado do palco que já foi de Nico Fidenco, Pepino di Capri e Ari Toledo. "O Lula ficou noivo da Marisa foi aqui."

 

Laerte e Lula são bons companheiros desde 1973. Às visitas, Laerte exibe o retrato emoldurado do amigo, que guarda com alma e devoção. Nesses oito anos, eles continuaram se vendo. As festas de fim de ano Laerte passou em Brasília, no Torto. Foram boas as pescarias no Paranoá. "Um dia o Lula fisgou um pacu de 12 quilos."

 

Laerte gostaria de ver o amigo de volta. Até para provar a Lulinha, criação de seu filho, Marcelo Demarchi, de 42 anos: linguiça cortada em tiras pequenas que virou especialidade da casa.

 

Se Lula não for, promete não ficar ressentido. "Acho que ele não vai poder sair numa avenida ou ir a um restaurante à vontade. Eu disse ao Lula: "Você é um mito do Brasil, não vai poder tomar café no bar’. Ele ri. Acho que ainda não caiu a ficha dele".

 

Zelão, o "rei do caldo de mocotó", quer ver Lula outra vez. Ele abriu o negócio em 1977. De lá para cá, só fez progressos. Paraibano de Souza, seu primeiro endereço foi na Rua João Basso com a Avenida Marechal Deodoro, quadra debaixo do sindicato.

 

Os metalúrgicos paravam ali. Nas noites frias, o caldo vinha numa cumbuca pequena, fumegando. Lula pedia um Domecq. Hoje, pagaria R$ 3,50 pelo mocotó. O conhaque é mais caro, R$ 6 o trago. "Era tanta gente que eu servia na calçada", relata Zelão, que tinha oito mesinhas e hoje tem outro ponto com 55 mesas.

 

Sua mulher, Lúcia de Fátima, tem mão boa para a cozinha. Faz uma buchada que é uma arte. "Põe o bucho do bode com os miúdos, coração, fígado, língua. Tem que ser tudo muito limpo, escaldado com limão. Senão fica gosto forte."

 

Lula provou a buchada em 1997, na casa do Zelão. Gostou tanto que pediu mais uma porção, depois outra. Tarde aprazível. Lúcia pôs um CD do paraibano Flávio José, no acordeão. Lula distribuiu charutos cubanos, presente de Fidel. Já cansado, jogou-se na rede e adormeceu.

 

Convites à parte, discute-se em São Bernardo se Lula vai continuar na cobertura do Hill House, o edifício azulejado de 13 andares da Avenida Francisco Prestes Maia. O apartamento ganhou nova decoração. Mas, aqui e ali, ouvem-se rumores de que o casal está de mudança para um condomínio mais novo e amplo.

 

Também está de malas prontas para a capital, é outra hipótese. Juno Rodrigues, o Gijo, não acredita que Lula partirá de vez. "Só se for morar na casa do cara que falou isso. O Lula pode até ter um escritório em São Paulo. Mas vai continuar morando aqui. Vai ficar porque o sindicato é logo ali, dá para ir a pé."

 

Para Gijo, o amigo vai tirar uns 15 dias para rever os companheiros, o Rubão, o Campanholo, o Janjão. "Ele vai no sindicato, no partido, na prefeitura. Acha que o Lula não vai dar um abraço no Marinho? Virou estadista, mas o Lula não muda. Continua peão."

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