Polêmica sobre Direitos Humanos ganha destaque internacional

Em artigo, 'El País' ressalta contradições do Programa de Direitos Humanos, que define como 'plano da discórdia'

Bruno Siffredi, do estadao.com.br,

12 de janeiro de 2010 | 09h35

A polêmica sobre o terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), que vem recebendo críticas de diversos setores da sociedade, começa a receber atenção internacional. O jornal espanhol El País publicou nesta terça-feira, 12, um artigo sobre o projeto do governo Lula, no qual define o programa como "plano da discórdia" e afirma que ele "contradiz sete anos de governo".

 

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O artigo, assinado pelo jornalista Juan Arias, ressalta críticas nas quais o programa foi definido como "disfarce de um governo de esquerda bolivariano" e "golpe branco" e aponta que o texto é "quase uma cópia" do programa de governo apresentado pelo PT antes das eleições de 2002, que depois acabou sendo substituído pela mais moderada "carta ao povo brasileiro".

 

Segundo o jornal estrangeiro, o que mais causou surpresa a respeito do Programa de Direitos Humanos é que ele "contradiz os sete anos de governo" do presidente Lula, "que deram a ele uma popularidade superior a 80%". Ainda é levantada a hipótese de que o projeto visaria agradar os setores mais à esquerda do PT, que "nunca viram com bons olhos a política econômica" do governo.

 

Outro ponto levantado pelo artigo é a "incógnita" sobre a participação da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, na elaboração do texto. A ministra, descrita como "candidata preferida de Lula" na sucessão presidencial, não se manifestou sobre o programa e vem mantendo distância da polêmica que surgiu desde sua publicação, em dezembro.

 

O PNDH, que inclui temas polêmicos como a possibilidade de revisão da Lei de Anistia, a legalização do aborto e alterações nas regras para reintegração de posse, foi criticado pelas Forças Armadas, pela Igreja Católica, pela sociedade civil e até por membros do governo, como ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim.

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