Poeira contém substâncias prejudiciais, aponta Greenpeace

A poeira presente nas casas e ambientes de trabalho é altamente prejudicial à saúde humana, podendo provocar distúrbios hormonais, problemas nos órgãos reprodutores e alguns tipos de câncer, mostra pesquisa divulgada hoje pelo Greenpeace. Entre novembro e dezembro de 2003, a organização ambientalista coletou quatro amostras de poeira em 50 residências das cidades de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Outra amostra foi colida em 6 gabinetes de deputados federais e de 2 senadores e a última em diferentes andares e diversos ambientes do Ministério do Meio Ambiente. A análise das seis amostras, feitas em laboratório da Holanda, mostrou que as casas e escritórios estão contaminados com substâncias químicas que são utilizadas na fabricação de utensílios domésticos do cotidiano, como tecidos, televisores, cosméticos e brinquedos. "Várias substâncias tóxicas são usadas na fabricação de produtos e com o desgaste natural, essas substâncias vão parar no meio ambiente, com alto risco para a saúde humana", afirmou o coordenador da campanha contra substâncias tóxicas do Greenpeace, John Butcher.Entre as substâncias tóxicas, ele destacou os flalatos, usados para tornar o PVC maleável e encontrado em brinquedos, interiores de carros, cabos, perfumes e cosméticos, tintas, adesivos e vedadores. Essa substância é prejudicial ao sistema reprodutor. Outro alerta está nos retardadores de chama bromados, que provocam distúrbios hormonais, mas fazem parte do cenário da maioria das casas, pois são usados para retardar a propagação do fogo. Essa substância é usada na fabricação dos sofás e carpetes. As parafinas cloradas, usadas na fabricação de tintas, plásticos e estabilizadores em plásticos e como tratamento contra mofo e poeira, podem causar câncer. Também potencialmente cancerígenos são os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, constantes em carvão, combustíveis a base de petróleo, lixo doméstico. "Enfim, estamos cercados por substâncias químicas, cujos impactos na nossa saúde são muito sérios, principalmente em longos período de tempo", destacou o coordenador. O resultado da pesquisa será remetido aos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde e para o Congresso Nacional. "Queremos que, ao elaborar uma legislação, seja adotado o princípio da precaução, o princípio da substituição e o direto à informação. Na dúvida sobre a toxicidade, uma substância não deve ser usada", completou. O coordenador disse, no entanto, que a intenção do Greenpeace não é assustar a população. "O que queremos é fazer um alerta. Na prática, as pessoas podem, por exemplo, evitar o uso do PVC. Para muitas produtos, ainda não temos alternativa. Falta informação. Não sabemos que os aparelhos de televisão, por exemplo, podem conter substâncias prejudiciais à saúde", afirmou. Para ele, a maioria da população acredita que apenas os produtos de limpeza são perigosos, "mas o risco à saúde vai muito além". A proposta do grupo ambientalista é que a Comissão Nacional de Segurança Química (Conasq), que discute o Programa Nacional de Segurança Química (Pronasq), proponha medidas adequadas para trocar as substâncias perigosas por alternativas não tóxicas. O Brasil foi o primeiro país em desenvolvimento a fazer a pesquisa. Inglaterra, França, Itália, Dinamarca e Bélgica já fizeram esse levantamento.

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