Poder e orçamento da fundação atraem políticos em todos os governos

A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) é uma espécie de braço executivo dos programas de saúde pública básica do País. Esse mandato para "fazer acontecer" e o orçamento gordo do órgão atraem os políticos e fazem da fundação alvo de disputa em todos os governos. A instituição é freqüentadora assídua dos relatórios de investigação da Polícia Federal, Controladoria-Geral da União (CGU) e Tribunal de Contas da União (TCU). No segundo governo Fernando Henrique Cardoso (1999-2002), o estatuto da fundação chegou a impor que os cargos de direção da Funasa ficassem com servidores de carreira, mas a primeira providência do governo do presidente Lula, com a posse de Humberto Costa no Ministério da Saúde, em 2003, foi derrubar essa proibição. O PMDB tomou conta da fundação em 2005, quando o partido apoiou o Planalto nas investigações do mensalão e ganhou o direito de indicar Paulo Lustosa para a presidência. Lustosa era afilhado da cúpula do PMDB e teve a indicação patrocinada pelo então presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Depois de Lustosa foi a vez de Danilo Forte, o vice dele, assumir em março do ano passado o posto - e também na condição de apadrinhado do PMDB. No ano passado, auditoria da CGU em 176 convênios com prefeituras e organizações não-governamentais (ONGs) para obras de saneamento e serviço de atenção à saúde indígena revelou rombo de R$ 75 milhões. As causas: desvio do dinheiro em contratos superfaturados ou em obras simplesmente não realizadas. A PF descobriu, também no ano passado, que a empresa Brasfort Administração e Serviço havia se transformado em uma espécie de feudo da família Calheiros dentro da Funasa. Parentes e lobistas amigos foram contratados, para trabalhos terceirizados, na fundação, sempre por intermédio da Brasfort. Lustosa chegou a definir a Funasa como "uma máquina de fazer votos".

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