''Podem começar a se preocupar'', diz Lula sobre 2010

Presidente manda recado à oposição e afirma que está trabalhando 'com muita vontade' para fazer sucessor

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2008 | 00h00

"Se alguém acha que, pelo fato de que não sou candidato, não vamos ganhar as eleições (presidenciais, em 2010), pode começar a se preocupar." O recado para a oposição foi dado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no programa Em Questão, apresentado pela jornalista Maria Lydia, que a TV Gazeta levará ao ar hoje, às 23h45. "Eu estou trabalhando com muita vontade de fazer a minha sucessão, muita vontade. Não é à toa que impediram a aprovação da CPMF." Na entrevista exclusiva, que durou cerca de 45 minutos e foi gravada no Palácio do Planalto, Lula afastou categoricamente uma aliança com o PSDB - a par das negociações em Minas entre o governador tucano Aécio Neves e o prefeito Fernando Pimentel (PT). Ele afirmou que "hoje é impossível" um pacto nacional entre as duas legendas rivais. "O fato de o Aécio estar fazendo acordo com o Pimentel não significa que também seja aceito pelo PT.""Na hora que vai para a disputa, o PSDB já tem dois candidatos; dizem que tem três: o (José) Serra, o Aécio e o (Geraldo) Alckmin", disse o presidente. "Eu não tenho nenhum candidato. Acho que a base que sustenta o governo tem de lançar candidatura. Vamos conversar depois das eleições municipais. Os partidos não têm de esperar pelo presidente, têm interesse próprio."Lula deu a receita de como pretende eleger seu sucessor e de como superar a perda de R$ 120 bilhões com a eliminação do imposto do cheque. "Eu vou fazer porque a economia vai crescer, as pessoas vão ganhar mais dinheiro e vão pagar mais imposto. E vamos fazer as políticas que temos de fazer."Na entrevista, mais uma vez Lula alfinetou o antecessor, Fernando Henrique Cardoso. "Teoricamente era para o PT ter uma belíssima relação com o PSDB. Eu tenho boa relação com Serra, com Aécio, com todos os governadores do PSDB. Trato eles com o maior carinho. Pode pegar a questão do PAC, a transferência de recursos do governo federal. Eu estou fazendo com o Serra o que o Fernando Henrique não fez com Mário Covas, que era do mesmo partido."Assegurou que não cobiça um terceiro mandato, que reputa invenção de seus oponentes. "Mais do que ético, é um valor democrático. A gente não pode brincar com a democracia. Ora você está bem, ora está mal. Sou contra. Só quer o terceiro mandato quem não sabe o que é o tamanho e o peso de governar este país. Era contra uma reeleição. Fui candidato (à reeleição) porque a lei foi aprovada. Acho que chega."Sobre a reforma tributária: "Você nunca consegue contentar 27 governadores, 6 mil prefeitos, deputados e empresários. Vai melhorar a possibilidade de investimentos." Descontraiu-se quando abordado sobre taxação mais severa para as grandes fortunas. "Se aprovarem, obviamente eu acho que é sempre bom a gente cobrar um pouco mais das grandes fortunas."Quando deixar o Planalto: "Estou pedindo a Deus para esse dia chegar. Não vou parar de fazer política, está no meu sangue. Mas não quero mais aquela militância que tive na construção do PT."

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