Pode-se induzir que caixa 2 pagou caravanas da cidadania, diz Bicudo

O ex-vice-prefeito de São Paulo na gestão da petista Marta Suplicy e jurista Hélio Bicudo afirmou hoje, em entrevista à Rádio Eldorado, que durante a sindicância interna do partido, realizada para apurar as denúncias feitas pelo economista Paulo de Tarso Venceslau, "dizia-se que sem o dinheiro da Consultoria para Empresas e Municípios (CPEM) para o PT, as caravanas da cidadania seriam inviáveis". A sindicância foi realizada, em 1997, para investigar as denúncias de Venceslau de que o PT desviava dinheiro público de administrações municipais para os cofres do partido.Segundo afirmou o jurista na entrevista, ao comparar as atuais denúncias com as investigações de 1997, "pode-se induzir que na época se construía um caixa 2 para esse tipo de atividade do partido". Apesar da afirmação, Bicudo disse à Rádio Eldorado que não tinha o relatório das investigações em mãos, embora recordasse os pontos principais da sindicância. Segundo o jurista, as investigações foram feitas por solicitação do então presidente do PT, o ex-deputado José Dirceu e enfatizou que a sindicância "era pra valer".Na entrevista, Bicudo alegou que depois de conversar com cerca de 30 depoentes, teve convicção de que as denúncias de Paulo de Tarso não chegavam a incluir o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Era mais uma atuação do Roberto Teixeira (advogado e compadre do presidente da República) que, segundo ele, trabalhava por indicação de Lula.""Na ocasião, não havia mais como aprofundar as investigações e concluímos que o Roberto Teixeira usava o nome do Lula para obter os contratos nas prefeituras do PT", disse. E continuou: "Era impossível averiguar se ele tinha ou não tinha a autorização do Lula, porque nenhum deles afirmou que estava agindo em favor do outro. Não há uma ligação comprovada entre o Lula e os pedidos de Roberto Teixeira."Por causa disso, Bicudo sugeriu que se montasse, na ocasião, uma comissão de ética, "já que as atuações do Roberto Teixeira foram comprovadas junto às prefeituras". A respeito do atual presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, um dos depoentes do processo, Hélio Bicudo alega não se recordar de seu depoimento. "Faz tanto tempo que vai se perdendo no espaço."Na entrevista à Eldorado, o jurista disse acreditar também que "Paulo de Tarso está atuando segundo os pontos de vista que ele sempre defendeu, porque ele fez várias denúncias a vários membros da direção nacional do PT". Disse. "Creio que nem ele nem o Roberto Teixeira foram submetidos a uma comissão de ética, mas eu sei que o Diretório Nacional decidiu expulsar o Paulo de Tarso e absolver o Roberto Teixeira, pois se dizia à boca pequena que houve uma intervenção do próprio Lula nisso, afinal eles eram compadres."

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