Pode o Obama 'bisbilhotar' Dilma?, provoca Lula

Em evento em São Paulo, ex-presidente atacou governo americano por denúncias de espionagem e por plano de ataque à Síria

Atualizado às 15h15, Isadora Peron e Gustavo Porto

11 de setembro de 2013 | 13h34

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta quarta-feira, 11, uma dura crítica aos Estados Unidos em razão das denúncias de espionagem contra a presidente Dilma Rousseff.

"Pode o senhor (Barack) Obama ficar bisbilhotando as conversas da nossa presidenta? Onde está a democracia? Qual delito a Dilma cometeu?", disse Lula, durante uma palestra sobre o combate à fome, realizado pela revista Carta Capital, em São Paulo. "Sabe-se Deus se eles não estão gravando este debate agora", brincou, arrancando risos dos presentes. Na semana passada, o ex-presidente afirmou que Obama devia um pedido de desculpas a Dilma.

Além de citar o caso de espionagem, Lula fez uma série de críticas sobre as decisões tomadas pelos EUA nos últimos anos. Ele questionou a invasão do Iraque em 2003, da Líbia em 2011 e a atual possibilidade de um ataque dos americanos à Síria. "Onde se decidiu que se ia invadir a Líbia e matar o Kadafi?", disse em referência à morte do líder líbio Muammar Kadafi.

Para Lula, é preciso construir uma governança global para que os EUA não tomem essas decisões sozinhos. "O mundo não pode ser vítima das decisões de um único País", afirmou.

Protestos. Lula voltou a defender que não há democracia sem partidos, numa alusão às manifestações de junho, que mostraram uma insatisfação da população com os políticos. Falou também sobre o pedido de "sem partido" levantada em alguns movimentos. "Me assusta profundamente algumas pessoas querendo negar a democracia, os partidos políticos, as entidades. Não é possível ter democracia se negarmos a existência dos partidos políticos", afirmou. "O povo vai para a rua e é ótimo; todas as faixas que estão aí a Dilma já carregou", concluiu o ex-presidente, ao citar o passado de militante da presidente.

Lula deixou o evento sem responder às perguntas dos jornalistas sobre o julgamento do mensalão, que pode ser encerrado nesta quarta-feira.

 

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