Pobreza recua e número de ricos aumenta em 5 anos, indica Ipea

O nível de pobreza no país teveredução de quase um terço nos últimos cinco anos enquanto onúmero de ricos cresceu, indica pesquisa do Ipea divulgadanesta terça-feira. O levantamento, que utiliza dados do IBGE, mostra que ataxa de pobreza nas seis maiores regiões metropolitanasbrasileiras caiu de 35 por cento da população em 2003, primeiroano do governo Lula, para 24,1 por cento neste ano. Em termos absolutos, eram 15,4 milhões de pessoas nestafaixa e passaram para 11,3 milhões, na estimativa do Institutode Pesquisa Econômica Aplicada para este ano. No mesmo período, o total de indigentes caiu pela metade,passando de 13,7 por cento para 6,6 por cento da população. Na outra ponta, os brasileiros ricos somavam 362 mil hácinco anos, e agora chegam a 476 mil. Saíram de 0,8 por centoda população para 1 por cento agora. "O crescimento econômico, os ganhos do salário mínimo e astransferências do governo contribuíram para a redução dapobreza", diz nota do Ipea. "No caso dos ricos, além docrescimento econômico, essa classe se beneficiou dos ganhos deprodutividade, que pouco são repassados aos salários dostrabalhadores." O estudo realizado nas regiões metropolitanas de Recife,Salvador, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio deJaneiro conceitua como pobre quem tem renda mensal individualde até meio salário mínimo (207,50 reais) e, como rico, aqueleque pertence a uma família com renda mensal igual ou superior a40 salários mínimos (16.600 reais). A região metropolitana de Belo Horizonte registrou a maiorqueda na pobreza no período, passando de 40,2 por cento em 2003para 23,1 por cento neste ano. Das seis regiões, Recifeapresenta a mais alta taxa de pobreza, com 43,1 por cento dapopulação. Em números absolutos, no entanto, São Paulo e Rio deJaneiro são as regiões com o maior número de pobres: 4,0milhões e 2,6 milhões de pessoas em 2008, respectivamente. CLASSE MÉDIA Também divulgada nesta terça-feira, pesquisa do economistaMarcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra queda nototal de pessoas que compõem a classe inferior e aumento nasclasses média e alta. Neste ano, 51,89 por cento da População EconomicamenteAtiva (PEA) faz parte da classe média, ao passo que em 2003essa taxa era de 42,49 por cento. Para a FGV, a classe média ouC tem renda familiar mensal entre 1.064 reais e 4.591 reais. A classe alta (renda superior a 4.591,99 reais) avançouquatro pontos, passando de 11,61 para 15,52 por cento e aclasse inferior, com renda inferior a 1.064 reais, caiu de46,13 por cento para 32,59 por cento. "A carteira assinada é o grande símbolo da classe média. Háuma diminuição da desigualdade e um crescimento da classemédia, que esteve estagnada nos últimos 20 anos", disse Neri ajornalistas. (Reportagem de Carmen Munari e Rodrigo Viga Gaier)

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