Pobreza ameaça democracia na América Latina, diz OEA

Diagnóstico da Organização de Estados Americanos (OEA), que será entregue amanhã aos chefes de Estado e de governo durante a Cúpula Extraordinária das Américas, mostra que a pobreza e as desigualdades nos países da América Latina estão generalizadas mesmo depois de profundas reformas econômicas realizadas nas duas últimas décadas. O documento da OEA, divulgado pelo secretário-geral da organização, César Gaviria, afirma que as altas taxas de pobreza e a extrema desigualdade na região "socavam" a qualidade de vida de grandes setores da população e a "confiança" dos cidadãos na economia de mercado. "Devido às deficiências econômicas, as democracias (da região) estão ameaçadas", diz o documento. O diagnóstico, preparado pela OEA, faz um alerta sobre as conseqüências das mudanças ocorridas na América Latina desde a primeira reunião de cúpula, em abril de 2001, em Quebec, no Canadá. "A fragilidade política, o lento crescimento econômico e as demandas sociais não atendidas são prioridades na agenda das Américas", diz o documento. O documento que será entregue aos presidentes deixa claro que o maior desafio para manter a estabilidade política na região, onde moram 550 milhões de habitantes, é reduzir a pobreza e a desigualdade, além de uma melhor redefinição sobre a distribuição de renda. "Hoje em dia, 220 milhões de pessoas, que representam 44% da população latino-americana, vive na pobreza. Desse número, 1/5 parte vive na extrema pobreza", lembra a OEA. De acordo com dados do Banco Mundial (Bird), os 10% mais ricos da população ficam com 48% da renda, enquanto que os 10% mais pobres dividem apenas 1,6% de toda a riqueza. Pior ainda, 57 milhões de pessoas na região estão desempregadas, enquanto que outras 80 milhões fazem parte da economia informal. Em função desses números, a OEA afirma que existem muitos perigos latentes e riscos potenciais que ameaçam a governabilidade na região.

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