Pobres podem ter reembolso de medicamentos

A população mais pobre do País gasta uma parcela muito maior de sua renda mensal com remédios do que os mais ricos. Estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda, mostra que enquanto a população de baixa renda compromete 2,73% do total de seu orçamento familiar na compra de medicamentos, os mais abastados consomem apenas 0,26%. Segundo o levantamento, a renda média dos mais ricos é 40 vezes maior do que a dos mais pobres. A diferença entre os gastos com remédio chega a 400 vezes.Diante dos dados, a Seae resolveu propor aos representantes da Câmara de Medicamentos uma política pública de reembolso dos gastos com medicamentos. Esse modelo, que segue em parte os moldes adotados na Inglaterra, atenderia os 20% mais pobres da população brasileira, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).A estimativa do secretário-adjunto da Seae, Paulo Corrêa é de que a medida exigiria que o Estado destinasse R$ 2,2 bilhões ao ano para pagar até 90% dos gastos dessas pessoas com medicamentos. Ainda não há prazo para que o reembolso comece a ser pago. No entanto, o governo tem até dezembro deste ano para estabelecer uma política de regulamentação de preços para o setor de medicamentos.Na análise do secretário de Acompanhamento Econômico, Cláudio Considera, esse programa, além de fazer uma distribuição de renda no curto prazo, poderá ajudar a reduzir os gastos do Estado com internações.Outra proposta é a criação de um Guia Terapêutico, com informações sobre preços de remédios e sua efetividade no tratamento de diversas doenças. A publicação seria usada por médicos dos setores público e privado para prever o custo total do tratamento. Assim, o médico pode ajustar a prescrição às necessidades de seus paciente. O estudo ainda aponta para a possibilidade de o Estado intervir mais diretamente no conjunto de escolhas dos tratamentos.

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