Pnad: número de idosos já supera o de crianças em algumas regiões

As três mais populosas regiões brasileiras vivem um fenômeno típico do envelhecimento: o número de idosos é maior do que o de crianças abaixo dos cinco anos. Já registrada, a partir de 2002, no Sul e no Sudeste, a predominância de pessoas acima dos 60 anos atingiu, no ano passado, o Nordeste. Em todo o País, são agora 18,1 milhões de homens e mulheres que já haviam nascido quando a Segunda Guerra Mundial estourou.A inversão da pirâmide populacional é cada vez mais acentuada em decorrência da redução na taxa de fecundidade, que está em 2,1 nascimentos por mulher, e do aumento da expectativa de vida no País. O envelhecimento registrado no Brasil não é inédito em relação ao resto do mundo, onde também a participação dos idosos é cada vez maior. Porém, segundo o IBGE, aqui a mudança do perfil etário dos habitantes tem se dado de forma muito mais acelerada. "Aqui ocorreu em 40 anos o que na Europa ocorreu em 200 anos", explica a consultora do IBGE, Vandeli Guerra, acrescentando que a transformação se deu a partir dos anos 1960, com a chegada da pílula anticoncepcional. Uma análise da população abaixo dos 25 anos mostra como foi rápida a mudança. Em 1981, a maior proporção de brasileiros tinham entre zero a quatro anos. Cinco anos depois, mudou para o grupo etário de 5 a 9 anos (12,5%), e, em 1992 já estava entre os de 10 a 14 anos. Desde então, o maior porcentual está na faixa de 15 a 19 anos.A diferença para o grupo seguinte é pequena: 9,6% ante 9,4%. O ritmo da inversão, porém, vem caindo há mais de 10 anos e, segundo Vandeli, o País pode se deparar com uma nova onda jovem, já que a proporção de mulheres em idade fértil é muito grande. Cai número de pessoas por domicílioA mudança na pirâmide, ressalta a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Márcia Quintslr, tem provocado uma redução no número médio de pessoas por domicílio. Há 10 anos, eram 3,9. No passado, baixou para 3,5, sendo que o Norte urbano ainda é a região onde há mais gente morando em um mesmo imóvel. Além disso, no Brasil, no período de 2004 a 2005, 323 mil pessoas passaram a morar sozinhas. São agora 5,7 milhões. Para a demógrafa e economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ana Amélia Camarano, o País precisa, urgentemente, de melhorias nas políticas públicas para se adaptar ao novo perfil demográfico.Segundo ela, é preciso priorizar ações na área da saúde, da previdência social e nos cuidados de longa duração, que incluem, desde mudanças no espaço urbano, como a inclusão de rampas para melhoria de acesso, até o aumento do número de instituições para longa permanência. "Precisamos nos preparar, principalmente para melhoria da saúde e de um meio ambiente mais inclusivo".

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