Pnad: Depois de 8 anos, rendimento tem 1º ganho real

O ano de 2005 marcou para os trabalhadores o primeiro aumento real depois de oito anos de queda no rendimento mensal. A renda subiu 4,6% em relação a 2004 e elevou o valor médio mensal para R$ 805. Mas, não foi suficiente para anular o baque dos dois primeiros anos do governo Lula e nem para retornar ao valor de 2002 (R$ 833). Na comparação com 1996, ainda acumula perda de 15,1%.Ao contrário da gestão Fernando Henrique Cardoso, o rendimento no governo Lula ficou abaixo da média anual e, nos dois primeiros anos, caiu ao menor patamar de dez anos. A compensação foi a renda ter crescido mais em 2005 para a metade dos trabalhadores que ganham menos (6,6%), o que contribuiu para diminuir a concentração de renda. Os valores absolutos, calculados pelo IBGE, foram inflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), com base em setembro do ano passado, quando foram concluídas as entrevistas para a Pnad."A queda no rendimento foi o preço pago pelas bravatas do governo no primeiro ano de gestão. O crescimento, no ano passado, se deu sobre um patamar muito deprimido e não recompôs os ganhos anteriores. Lula errou porque anunciou que queria mudar tudo. O mérito foi não ter colocado em prática, mas o País pagou pelas contradições do PT e do presidente Lula. 2003 foi um ano de recessão", analisa o pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) André Urani, referindo-se aos anúncios de mudança de rota na economia, antes do início da gestão do PT.Inflação em queda contribuiuEle atribui à manutenção da estabilidade monetária, com a contenção da inflação, os principais ganhos da economia nacional. Este fator somado a programas de transferência de renda, não só do governo federal como de governos estaduais, garantiu uma contínua e consistente melhoria na distribuição de renda e da redução da desigualdade no Brasil.Mesmo assim, a concentração de renda ainda é uma das mais altas do mundo. De acordo com o levantamento do IBGE, 10% da população ocupada no País apropriaram-se de 47,1% de toda a remuneração gerada pelo trabalho. É a casta de brasileiros com os maiores salários. No outro extremo, os 10% com os menores rendimentos representaram apenas 1,1% das remunerações."Está havendo uma desconcentração gradual na distribuição de renda. Pequena, mas seguida. É uma tendência de queda constatada de 1993 a 2005", explicou a técnica do IBGE Vandeli Guerra, analista da pesquisa.

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