PMs se queixam de operação "kamikaze"

A morte do soldado Márcio Ribeiro Gomes, de 29 anos, na ação frustrada da Polícia Militar no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, zona norte, ontem, revoltou os policiais que continuam ocupando o morro. Eles classificaram a operação, batizada oficialmente de Tornado, como uma ?ação kamikaze?, e criticaram a estratégia de saírem 100 policiais em dezenas de carros oficiais, todos juntos, rumo ao morro. "Parece até parada de sete de setembro", comparou um soldado do Batalhão de Operações Especiais (Bope).Os cem policiais chegaram ao Morro do Dendê na madrugada de quinta-feira. Eles já haviam passado a tarde na favela, quando houve um curto tiroteio. "Foi praticamente avisar para os traficantes que voltaríamos à noite", disse um sargento do Batalhão de Choque que não participou da ação, mas passou a tarde na favela. Os policiais foram recebidos a tiros de fuzil, metralhadora e pistola. O soldado Márcio Ribeiro Gomes morreu na hora, com um tiro no peito. Outros quatro policias ficaram feridos. "Não houve trabalho de inteligência, não houve levantamento dos locais em que os traficantes se escondem", afirmou o soldado do Bope. "Desculpe o que eu vou falar, mas a morte de 20 traficantes não valia a perda desse colegas". Na Operação Tornado, apenas duas escopetas foram apreendidas. O comandante das Unidade de Operações Especiais, coronel Francisco Dósio, refutou as acusações dos subordinados. "Eles são treinados e preparados para entrar no morro em situações adversas. Eles enfrentaram a reação dos criminosos", afirmou. Para o coronel, a operação deixou um saldo positivo: "A presença da PM, que afugentou o marginal", disse.

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