PMs acusados por massacre de sem-terra serão julgados em abril

O julgamento dos 149 policiais militares do Pará acusados pela morte de 19 trabalhadores rurais sem-terra ligados ao Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), em 1996, deve começar no dia 8 de abril, uma semana antes de completar seis anos. As datas foram definidas hoje pela juíza Eva do Amaral Coelho, responsável pelo processo, que dividiu o julgamento em três sessões.Os primeiros a serem julgados serão o coronel Mário Colares Pantoja, na época comandante da Polícia Militar de Marabá; o major José Maria Pereira de Oliveira, que chefiava o Batalhão da PM em Parauapebas, além do capitão Raimundo José Almendra Lameira. Os três comandaram a tropa que tentou no dia 17 de abril de 1996 liberar o trânsito na rodovia PA-150, na Curva do S, bloqueada por 1.200 sem-terra. No episódio, além dos 19 mortos, 69 pessoas saíram feridas.O coronel será defendido pelo advogado Américo Leal, o major pelo advogado Jânio Siqueira e o capitão pelo advogado Roberto Lauria. Eva Coelho anunciou que durante o julgamento terá o auxílio do juiz Roberto Moura. Ele irá cuidar dos procedimentos administrativos das sessões.Na segunda sessão, marcada para 15 de abril, serão julgados 17 policiais militares, sendo 12 sargentos, 4 tenentes e 1 cabo. Na defesa deles atuará o advogado Luiz Abdoral Lopes. Na última sessão, marcada para 22 de abril, será a vez de outros 129 militares, sendo 15 cabos, 108 soldados e 6 sargentos. Atuarão na defesa os advogados Eloisa Helena da Silva Savano, Paulo Ronaldo Albuquerque e Ocione Ferreira.Ao marcar as datas, a juíza considerou que "o feito criminal encontra-se devidamente saneado e preparado para o julgamento e que os recursos decorrentes da anulação do primeiro júri (agosto de 1999) não possuem efeito suspensivo". De acordo com a juíza foram esgotados todos os prazos para requerimento de diligências pelas partes.Ela disse que a perícia requerida pelo Ministério Público na fita com a gravação das imagens sobre o episódio já foi realizada e não houve manifestação das partes em relação à sua conclusão. A juíza disse que decidiu dividir o julgamento em três sessões considerando o elevado número de acusados e a atuação da defesa, que poderia ser "prejudicada em face de uma única sessão".

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