PMDB vive dilema sobre candidatura

Um debate realizado hoje na Tribuna do Senado, deixou mais evidente o dilema que vive o PMDB no tocante à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso, entre a candidatura própria ou o apoio a outro candidato da base governista. O vice-líder do partido, senador Gilvam Borges (AP), defendeu a revisão da candidatura própria, chamou a atenção para o potencial eleitoral da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), e repeliu o apoio a uma eventual candidatura do ministro da Saúde, senador José Serra (PSDB-SP). Fiel correligionário do senador José Sarney (PMDB-AP), Borges ponderou que o crescimento de Roseana nas pesquisas altera o quadro da sucessão presidencial e os dirigentes do PMDB e dos demais partidos da aliança governista devem ter a responsabilidade de construir uma candidatura com condições de vencer a disputa. "Não aceitaremos um candidato goela a baixo. Apelo para que os nossos líderes tenham maturidade e não tentem impor uma candidatura que possa desagregar. Tentar impor a candidatura do ministro José Serra é um crime, e grande", afirmou Borges, argumentando que Serra é conhecido pela antipatia e isso inviabilizaria um diálogo com os demais líderes. O vice-líder do PFL, senador Edison Lobão (MA), reforçou o pronunciamento do colega Gilvan Borges (PMDB-AP), afirmando que não basta competência administrativa para um candidato vencer a eleição. "É preciso ter também empatia com o povo", disse. Segundo Lobão, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, reúne essas essas duas qualidades essenciais: governa bem e encanta o povo brasileiro. "Como nós, da base do governo, podemos desperdiçar uma candidatura dessas? Só se quisermos perder as eleições", ponderou Lobão, acrescentando que também ?não adianta apostar em um candidato capaz de ganhar a eleição mas incapaz de governar o País?.Para Simon, Sarney influenciou Gilvam BorgesJá o pré-candidato do PMDB à Presidência da República, senador Pedro Simon (RS), levantou a suspeita de que o ex-presidente José Sarney, pai de Roseana, estivesse por trás do pronunciamento de Gilvam Borges. Simon afirmou que a candidatura própria do PMDB é uma questão de sobrevivência do partido. Ele relembrou os tempos áureos da luta contra o regime militar, quando o partido foi o catalizador da reação, afirmando que, desde a morte do presidente Tancredo Neves, antes da posse, em 1985, o PMDB só perdeu credibilidade e não acrescentou nada à política nacional "só tem nome e biografia". O parlamentar disse que o PMDB precisa disputar a eleição com um candidato próprio para mostrar a sua cara, sua história e o que quer para o futuro, sob pena de vir a se transformar em um partido nanico. "Pode até não ganhar, mas tem de se colocar como partido. Ou o PMDB se apresenta e diz o que ele é, o que significa, ou será levado pela correnteza e ficará no limbo da história", afirmou. Simon sustentou que a candidatura própria não impede que o partido continue ajudando o presidente Fernando Henrique a conduzir o governo até o final do mandato.O senador gaúcho disse ainda que os demais partidos da coalizão governista também devem apresentar seus candidatos para disputar o primeiro turno da eleição, sem prejuízo da retomada da aliança no segundo turno. Elogio a SerraPedro Simon, disse que o crescimento de Roseana nas pesquisas eleitorais é um fenômeno de marketing e discordou do senador Gilvan Borges (PMDB-AP) quanto às críticas feitas à personalidade do ministro José Serra. "Não acho o Serra antipático. Talvez ele não tenha o magnetismo do ex-presidente Fernando Collor e nem a capacidade do presidente Fernando Henrique de agradar gregos e troianos, mas tem conseguido vitórias importantes, como essa da Organização Mundial do Comércio (OMC), e tem sido um ministro da Saúde dos mais competentes até hoje", elogiou, referindo-se à permissão para quebra de patentes em caso emergencial de saúde pública decidida na reunião da OMC realizada esta semana em Doha, capital do Catar.

Agencia Estado,

16 de novembro de 2001 | 13h16

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