PMDB vincula caso Renan à CPMF

Idéia é que governo ajude senador em troca da prorrogação do tributo

Marcelo de Moraes , Ana Paula Scinocca e Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2007 | 00h00

Para salvar o mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o PMDB o incluiu no pacote de barganha com o Planalto. Além da costumeira cobrança de cargos e liberação de emendas orçamentárias, o partido quer a mobilização do governo e do PT em favor de Renan. O trunfo do PMDB é o tamanho de suas bancadas na votação da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).Para o governo, a pressão do PMDB, que falou até em fissuras na base aliada, não poderia ser mais complicada. Os peemedebistas têm as maiores bancadas na Câmara e no Senado e ao lado do PT formam o eixo de sustentação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dentro do Congresso. Se perder os votos do PMDB, o governo não conseguirá aprovar a CPMF, que lhe garantirá arrecadação de cerca de R$ 39 bilhões este ano. Por conta disso, parte da bancada sabe que é o momento adequado para pressionar por suas reivindicações.O primeiro sinal da pressão peemedebista veio na quarta-feira, quando a Comissão Executiva do PMDB tentou fechar posição a favor da prorrogação da CPMF. Sem conseguir consenso, decidiu convocar reunião da bancada da Câmara sobre o assunto para terça-feira.No caso de Renan, os peemedebistas desconfiam que o governo tende a lavar as mãos. Encaram como sinal disso o fato de que no Conselho de Ética os três senadores do PT - Eduardo Suplicy (SP), João Pedro (AM) e Augusto Botelho (RR) - votaram pela cassação. Mesmo enfraquecido politicamente, o presidente do Senado tem força no PMDB e ontem deixou claro que conta com o voto dos petistas para ser absolvido pelo plenário. A discussão da CPMF pode servir para fazer pressão."O PT sempre teve e sempre terá um comportamento de aliado, que é proporcional ao comportamento que sempre tive com ele", cobrou Renan. "De modo que a minha relação com o PT nunca esteve tão boa quanto agora."SATÉLITENo plenário, o PT, com 12 senadores, é visto como "fiel da balança" no julgamento de Renan. "Mais do que o PT, é o governo quem vai decidir, até porque o PMDB, embora tenha 19 senadores, é satélite do Planalto", resumiu Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Ele e os peemedebistas Pedro Simon (RS), Mão Santa (PI) e Gerson Camata (ES) devem ser dissidentes e votar pela cassação do colega.Renan espera ainda apoio do presidente Lula, de quem disse, mais de uma vez, ser, não apenas aliado político, mas um amigo. E teria provado isso ao se posicionar a seu lado nas crises do mensalão e da máfia dos sanguessugas.Questionado ontem sobre o apoio do Planalto, tergiversou: "E o Planalto vota?" Apesar disso, ele mandou o recado de que quarta-feira não espera traições na votação. "A única coisa que eu não vou permitir é que haja pressão sobre os senadores."

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