PMDB vê Dornelles como substituto

Senador tem como atributos perfil moderado e trânsito livre na Casa

Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2009 | 00h00

Com a possibilidade de uma eventual renúncia do senador José Sarney (PMDB-AP) ao cargo de presidente, os líderes aliados e de oposição começam a discutir, em conversas reservadas, um plano B, que passa pela escolha de um nome que possa substituir o senador peemedebista no comando da Casa. A cúpula do PMDB no Senado já avisou que não abrirá mão da vaga para o PT. Com dificuldades para encontrar um nome na bancada de 19 senadores do partido, a direção do PMDB já estaria cogitando ceder o cargo para o senador Francisco Dornelles (PP-RJ). Além de aliado fiel de Sarney, Dornelles tem a seu favor o amplo trânsito tanto com oposição e governistas. Seu nome não enfrentaria resistências de tucanos e democratas. Também é bem visto pelos petistas. Com perfil moderado e considerado um bom negociador, ele é tido "como parte da bancada do PMDB", na definição de um dirigente do partido. Único senador do PP, a sigla forma um bloco com o PMDB do Senado, o que ajuda a credenciá-lo como substituto de Sarney. Aos 74 anos, Dornelles tem currículo extenso e, em 50 anos de vida pública, não foi alvo de denúncias ou esteve envolvido em escândalos. Sobrinho do ex-presidente Tancredo Neves, Dornelles foi ministro do Trabalho de Fernando Henrique Cardoso, ministro da Fazenda de Sarney e secretário da Receita Federal de João Figueiredo. Apesar do nome de Dornelles ter a simpatia de seus colegas de Senado, a bancada do PMDB deverá resistir em ceder a vaga a um "estranho". Afinal, vários senadores peemedebistas sonham com o comando da Casa. O mais animado é o ex-presidente do Senado Garibaldi Alves (PMDB-RN), o único não-dissidente do PMDB a defender publicamente que Sarney se afaste do cargo. Em 2007, Garibaldi assumiu a presidência da Casa, também em momento de crise, quando Renan Calheiros renunciou para salvar o mandato. Há dúvidas jurídicas, no entanto, se Garibaldi poderia assumir novamente o comando. Como ele deixou a cadeira no dia 2 de fevereiro último, sua volta à presidência pode ser considerada uma reeleição, o que é proibido pela Constituição.

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