PMDB vai 'valorizar' os mais fiéis na distribuição do fundo eleitoral, diz Jucá

Presidente do partido afirma que regras de divisão de recursos serão discutidas somente no ano que vem

Isadora Peron e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2017 | 12h29

BRASÍLIA - O presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá (RR), afirmou nesta segunda-feira, 18, que o partido vai "valorizar" nomes que estão sendo mais "leais" ao governo na hora de distribuir os recursos do fundo eleitoral.

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Jucá disse que não haverá "retaliação" a figuras como o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que tem mantido uma postura crítica em relação às medidas adotadas pelo presidente Michel Temer, mas que a Executiva do PMDB vai procurar dar um "tratamento diferenciado" para quem tem apoiado o partido.

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"Não vai ter retaliação, mas vai ter valorização, ou seja, aqueles que são mais fechados com a posição do partido, têm que ser valorizados, portanto nós vamos dar um tratamento mínimo a todos, mas a Executiva Nacional vai ter o cuidado de atuar de forma que aquelas figuras que são mais emblemáticas, que são candidatos a governador, a senador, a deputado federal, que têm sido leais ao partido, devem receber um tratamento diferenciado", disse.

Segundo ele, as regras da distribuição do fundo serão discutidas somente no ano que vem, e não na convenção do partido marcada para esta terça-feira, 19.

De acordo com a proposta aprovada na reforma política, caberá à Executiva de cada partido definir como será a distribuição dos recursos do fundo eleitoral. Como mostrou o Estado no fim de semana, as cúpulas partidárias devem priorizar candidatos com mandatos na hora de dividir os recursos do fundo eleitoral criado para financiar as campanhas em 2018.

TRAIÇÃO 

As declarações de Jucá foram dadas depois de ele participar de um evento da Fundação Ulysses Guimarães, realizada nesta segunda-feira, 18, em Brasília. Durante a sua fala para integrantes do partido, o senador já havia feito uma crítica àqueles que estão divergindo das ações adotadas pelo governo e disse que não "há espaço para traição" no PMDB.

"Não podemos ser um partido em que cada um fala uma linguagem. Não podemos ser um partido que está falando uma linguagem contrária ao que o partido faz a nível nacional. Discordar é importante, debater é importante, temos que ter vozes dissonantes, é importante, faz parte da democracia. Agora, não podemos ter uma pessoa querendo implodir um partido, atirando contra o partido e fazendo ações deliberadas para atacar o presidente da República. Para atacar o programa de governo", disse.

Para o senador, quem está agindo desse jeito deveria procurar outro partido para se filiar.

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