PMDB vai se unir contra candidatura de Garotinho

A cúpula governista do PMDB desistiu de combater a realização de eleições prévias para a escolha do candidato do partido à presidência da República e deve aderir à candidatura do governador gaúcho Germano Rigotto (PMDB).Segundo um importante dirigente peemedebista, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador José Sarney (PMDB-AP) decidiram unir-se a ala que faz oposição ao governo, contra a candidatura presidencial do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PMDB).Diante deste acerto, a reunião da executiva nacional do PMDB para tratar das prévias deverá ser pacífica. Hoje cedo, depois de uma conversa reservada com Sarney na residência oficial da presidência do Senado, Renan mudou o discurso: "Brigar para adiar as prévias seria um tiro no pé". Inicialmente marcada para 5 de março, a consulta interna deverá ser remarcada para o dia 19, apenas para descolar as prévias da semana do Carnaval.O primeiro passo concreto para o entendimento foi dado hoje mesmo, quando Renan e Sarney participaram de uma reunião com o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), que vinha liderando o movimento da ala de oposição ao governo em defesa de candidatura própria contra Lula. O encontro foi realizado na casa do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB).Depois da adesão pública dos governadores de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, e de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, à candidatura de Rigotto, o presidente do PMDB paulista, Orestes Quércia, começou a se articular com outros três governadores peemedebistas. A idéia é fazer um ato político em São Paulo, para anunciar o apoio em bloco dos governadores a Rigotto, deixando Garotinho isolado apenas com o voto de sua mulher, a governadora Rosinha Mateus (RJ).Embora preferisse que o PMDB realizasse as prévias mais para frente, perto da convenção de junho, Renan propôs hoje que as duas correntes do partido se reaproximem e não repitam "o espetáculo ridículo" de ficar brigando por data. "Temos é que trabalhar para unificar o partido e transformar sua força regional, que é enorme, em uma força política competitiva do ponto de vista nacional", disse.O presidente do Senado também se declarou contra a indicação de um vice do PMDB, fazendo composição com o PT de Lula ou qualquer outro partido. Insistiu que só vê uma hipótese de aliança entre os grandes partidos na corrida presidencial: a de o PSDB montar chapa com um vice do PFL. "O PMDB ajuda na governabilidade, mas tem que ter seu projeto próprio de poder e lançar candidato a presidente", disse.

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