Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

PMDB vai lançar plataforma online para receber doações

Pela 'tesouraria virtual', candidatos do partido às prefeituras poderão ter controle de gastos e prestação de contas

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2016 | 05h00

BRASÍLIA - Diante da proibição do financiamento de empresas na campanha, o PMDB lançará uma plataforma para coleta de doações políticas, intitulada Mais que Voto, pela qual os candidatos às prefeituras podem ter uma espécie de tesouraria virtual para controle de gastos e prestação de contas. O programa online também tem um dispositivo para evitar "erros" de potenciais doadores.

Se houver qualquer problema, surge na tela do computador um aviso, como se fosse um alerta de vendas. “Você não terminou sua doação! Notamos que você iniciou seu cadastro no sistema, mas não finalizou o processo. Clique e termine agora”, diz uma das mensagens do Mais que voto.

A principal aposta do PMDB na eleição de outubro é a senadora Marta Suplicy, ex-petista e candidata à Prefeitura de São Paulo. Dirigentes do partido avaliam que, nos últimos anos de polarização entre o PT e o PSDB, esta é a primeira vez, de fato, que há chances de vitória na maior cidade do País, administrada desde 2013 por Fernando Haddad (PT), que concorre ao segundo mandato.

Marta é tão importante para o PMDB que a foto dela figurou em todas as simulações de funcionamento do “sistema de gestão do político”, inserido no programa Mais que Voto. No cardápio do software há ainda uma agenda com “lembretes” dos compromissos do candidato na caça aos votos.

O presidente em exercício do PMDB, senador Romero Jucá (RR), disse que a plataforma estará à disposição não apenas dos concorrentes do partido, mas também dos aliados nas campanhas para as prefeituras e Câmaras Municipais. Questionado sobre os custos do sistema – de responsabilidade da empresa AM 4, com apoio do corpo técnico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – Jucá afirmou que cada candidato interessado no software pagará R$ 400. “E ainda pode lançar esse gasto na prestação de contas”, disse ele, que também é alvo da Operação Lavo Jato. “Estamos numa época de balas perdidas. Todo mundo atira para todo lado, sem provas", defendeu-se.

Para evitar confusões na coleta de recursos, o Mais que Voto prevê que cada candidato receba em seu e-mail um resumo diário das doações. O programa faz, ainda, a contabilidade do total arrecadado desde o início da campanha, nos últimos meses e semanas, além de fornecer recibos e enumerar as últimas contribuições e os maiores doadores.

“Essa lei que proíbe contribuições de empresas é discriminatória e permite que os candidatos ricos levem vantagem sobre os mais pobres”, comentou Elsinho Mouco, publicitário do PMDB. “Além do palanque ético, isso vai influenciar demais nessa eleição."

Elsinho pregou mudanças na nova lei eleitoral, aprovada no ano passado pelos parlamentares. “Quando o Congresso peca pelo exagero, só tem uma saída, voltar atrás”, insistiu ele.

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