PMDB vai debater programa do partido para 2002

Dirigentes do PMDB começam a viajar pelas capitais brasileiras na próxima semana, abrindo o ciclo de debates promovido pela Fundação Ulysses Guimarães para elaborar o programa do partido para o País.Mesmo com chance mínima de disputar a Presidência da República, indicando o cabeça-de-chapa, o PMDB quer concluir, no dia 20 de dezembro, um projeto de governo com propostas ousadas na área social.?Vamos começar os debates por Sergipe, Alagoas e Bahia?, diz o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), que vai recepcionar o presidente da Fundação, Moreira Franco, em Salvador no próximo fim de semana.?Queremos estimular a militância e resgatar a imagem de partido combativo, com um programa realmente inovador?, diz Geddel. Na área social, onde a avaliação predominante é que o governo Fernando Henrique Cardoso teve uma atuação tímida, o PMDB vai propor avanços como o sistema único de Previdência Social, acabando com as regalias do servidor público federal.A idéia inicial é aproveitar o debate para exibir o eventual presidenciável do partido às bases. Mas, diante do adiamento para março das prévias partidárias, que apontariam o candidato no dia 20, da queda de popularidade do governador mineiro Itamar Franco e da indefinição do presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), quanto a seu ingresso na corrida presidencial, a cúpula vai levar aos Estados apenas o esboço do programa.?As candidaturas vão ficar para outro momento, mas o candidato que quiser se agregar a nós é bem-vindo?, diz Geddel, citando o senador e pré-candidato Pedro Simon (PMDB-RS). Para alinhavar as propostas que irão a debate Brasil afora, a Fundação Ulysses Guimarães montou um grupo de 13 notáveis, entre economistas, sociólogos e cientistas políticos de correntes políticas que variam de dissidências do PSDB ao PT.A idéia é montar programas e políticas específicas, com o objetivo de avançar especialmente onde o atual governo falhou. A questão urbana terá um capítulo especial, voltado para a periferia das grandes cidades.Também está em elaboração uma política específica para o idoso, que os peemedebistas julgam abandonados pelo poder público. Moreira Franco salienta que a proposta de desenvolvimento com inclusão social vai inovar a partir do conceito de desenvolvimento.Na avaliação dos notáveis que trabalham o programa, a famosa teoria do ?é preciso crescer o bolo, para então repartir?, pregada pelo czar da economia Delfim Neto nos anos 70, não foi alterada, e a conseqüência disso é a concentração de renda brutal. ?O conceito de desenvolvimento praticado pelo governo trata a questão social como conseqüência, quando o desenvolvimento sustentado constitui-se, simultaneamente, de dois movimentos: o combate às desigualdades sociais e a luta para manter a estabilidade monetária e o ajuste fiscal?, diz Moreira Franco.O ex-assessor especial da Presidência da República está convencido de que o grande erro do governo Fernando Henrique foi não ter conjugado estabilidade com combate à desigualdade. É isto que o programa do PMDB pretende corrigir. Pelo menos no papel.

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