PMDB vai bancar Temporão para evitar cobiça do PT

Presidente do partido marca reunião entre ministro, que chamou Funasa de corrupta, e líder na Câmara

Christiane Samarco e Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

18 de novembro de 2008 | 00h00

O comando do PMDB resolveu bancar a permanência do ministro José Gomes Temporão na Saúde para não abrir espaço ao PT, que cobiça o cargo. Para tanto, líderes peemedebistas programaram uma dieta de fortalecimento político do ministro que começa com a reaproximação de Temporão da bancada do PMDB na Câmara. "Farei uma espécie de mediação, porque a relação entre o ministro e a bancada do PMDB está ruim", afirma o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), que defende a permanência de Temporão no cargo. Temer marcou uma conversa com Temporão e o líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para as 9h30 de hoje, no Ministério da Saúde. Temer e o líder dizem que o objetivo do encontro é "esclarecer melhor" os problemas entre o ministro e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).O que irritou a bancada do partido na Câmara a ponto de pedir a cabeça de Temporão na semana passada foi o fato de o ministro ter acusado a Funasa de ser "corrupta" e ineficiente e não apresentar uma denúncia concreta.Ontem em São Paulo, onde participou de cerimônia ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Temer empenhou-se em amenizar o clima de desconforto entre o partido e Temporão. "Não há nenhuma intenção do PMDB de pedir o ministério. Ao contrário. O Temporão está fazendo um bom trabalho", afirmou Temer, que classificou como "pequena divergência" a reação negativa da bancada a críticas feitas pelo ministro à Funasa.A conversa, logo cedo, do ministro com o líder Henrique Alves é uma tentativa de encontrar argumentos para acalmar os deputados peemedebistas, que indicaram Danilo Forte para presidir a fundação. O próprio líder marcou reunião da bancada para as 17h de hoje, com uma agenda que o Planalto considerou explosiva: um manifesto de repúdio às acusações do ministro e outro de solidariedade a Danilo Forte. "Haja ou não divisão no partido, não é o momento de pensar na saída dele, e sim de mantê-lo no cargo", ponderou Temer em conversa com Henrique Alves, observando que o líder cobrara explicações de Temporão "muito acidamente", e que o ministro havia recuado da acusação a Forte, dizendo que se referira a administrações anteriores. "Tirá-lo tem que ser decisão do governo e não do partido", insistiu, ao convidar o líder para o encontro com o ministro.Como os petistas trabalham nos bastidores com duas alternativas para a Saúde - o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), e o candidato a presidente do Senado, Tião Viana (AC), ambos médicos - o líder do PMDB se apressa em frisar que a indicação do ministro cabe ao PMDB. "Nos atendimentos partidários do governo Lula, a Saúde está na cota do PMDB. Isto não está em discussão nem em negociação." O líder entende que a questão é a Funasa, que o partido considera um "braço direito do ministério", pelas obras que leva às pequenas cidades e comunidades. "A boa relação entre a Funasa e o ministério não está ocorrendo e queremos saber por quê. Danilo Forte é da confiança do PMDB, que o indicou e, portanto, deve ser da confiança do governo também e não está sendo", afirma o líder. O orçamento da Funasa, em 2008, é de R$ 2,4 bilhões. JANTAR O presidente Lula havia programado um encontro com a cúpula do PMDB e a bancada do Senado para o início desta semana, mas o encontro não foi confirmado. A idéia era reunir os peemedebistas em um jantar hoje, não sem antes baixar a temperatura da crise com Temporão. Afinal, é preciso investir em um ambiente de entendimento para tratar da sucessão do Senado, onde PT e PMDB disputam o comando da Casa.Os senadores do PMDB já sabem o que dirão a Lula: o partido tem a maior bancada do Senado e não abrirá mão da presidência para o PT, que é a quarta bancada.

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