PMDB usará CPI da Petrobrás no Senado para pressionar governo

Com 3 senadores entre os 11 titulares, legenda quer que a comissão funcione como instrumento de barganha

Christiane Samarco e Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

Com a CPI da Petrobrás instalada, o PMDB deu ontem sinais de independência em relação ao Palácio do Planalto. Com 3 senadores entre os 11 titulares, o partido será fiel da balança na comissão. Diante da vontade do PT em tratorar a oposição e domar as investigações, o PMDB quer que a comissão funcione como instrumento de barganha com o governo. Veja o que será apurado pela CPIOntem, um racha na base governista impediu os partidos aliados de indicar seus representantes na comissão aberta para investigar supostas irregularidades na estatal e na Agência Nacional de Petróleo (ANP).Além de uma briga entre o PMDB do líder Renan Calheiros (AL) e o PT comandado pelo senador Aloizio Mercadante (SP), a base aliada também não consegue se entender em torno de uma estratégia para conduzir a comissão. Setores expressivos do PT e do governo apontam para a tática do rolo compressor, enquanto peemedebistas dizem rejeitar a ideia de uma CPI chapa-branca, com governistas na presidência e na relatoria.Com tantos problemas, a definição deve se arrastar até a próxima semana. Se prevalecer a tese do PMDB, o senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) tem boas chances de ser eleito presidente da comissão. "O nome dele é palatável. Precisamos de tempo para conversar e baixar a temperatura", confirmou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). A boa vontade do PMDB em dividir o comando da CPI com a oposição tem um limite. Os tucanos, que radicalizaram para forçar a abertura do inquérito, terão de ficar fora da presidência. Da relatoria, o governo não abre mão.Para que a oposição assuma a presidência, os tucanos têm de concordar em eleger o DEM. Como consolo, ganham duas das três vagas de titulares. A dupla do PSDB na comissão será formada pelos senadores Álvaro Dias (PR) e Tasso Jereissati (CE). O presidente do partido, Sérgio Guerra (PE), deverá ficar como suplente. Além de ACM Júnior, o DEM deve pôr Heráclito Fortes (PI) na vaga de suplente. O PTB já definiu o ex-presidente Fernando Collor (AL) como seu representante. "Se a regra for indicar líderes, meu nome está lá listado", disse a líder do governo no Congresso, Ideli Salvati (PT-SC). Mercadante, que também quer ir para comissão, afirmou que não há definição sobre quem vai ficar com a presidência e a relatoria. Renan, por sua vez, defende a tese de que os líderes não devem ser indicados porque o regimento já lhes garante o direito a voz na CPI, apesar de o voto ficar restrito aos titulares da comissão. O líder tucano, Arthur Virgilio (AM), disse ontem que seu partido quer fazer uma "CPI séria que evite a ação predatória de grupos privados sobre a Petrobrás". "Estávamos fazendo um entendimento entre os líderes para ouvir o presidente da Petrobrás antes de criar a CPI, mas o PSDB rompeu o acordo, radicalizou e, de lá para cá, não houve diálogo nem disposição de entendimento", reagiu Mercadante.Para a oposição, no entanto, preocupantes são as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. O ministro acusou os tucanos de usarem a CPI para fragilizar a Petrobrás com intuito de privatizá-la depois.Isso acirrou os ânimos a tal ponto que até líderes da base aliada criticaram a tática de antecipar o clima de campanha eleitoral, repetindo o debate da privatização. Na campanha à reeleição de 2006, Lula disse que o então adversário tucano, Geraldo Alckmin, promoveria privatizações caso fosse eleito.

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